Zé Dirceu anuncia falecimento e Brasil lamenta grande perda

Zé Dirceu comunicou nesta terça-feira (22) a morte do cineasta, produtor e diretor de fotografia Luiz Carlos Barreto, conhecido por praticamente todo mundo do cinema brasileiro como Barretão. Ele tinha 98 anos e faleceu no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro. Nos últimos meses, o estado de saúde já inspirava bastante cuidado depois de uma queda considerada grave, sofrida em março de 2024, da qual nunca conseguiu se recuperar totalmente.

A notícia provocou repercussão entre artistas, produtores e pessoas ligadas ao audiovisual. Barretão era visto como um dos nomes mais importantes da história do cinema nacional, participando de produções que marcaram diferentes gerações e ajudaram a construir uma identidade para o cinema brasileiro. Sua trajetória atravessou décadas, sempre ligada ao incentivo da cultura e da produção independente.

Em uma nota divulgada nas redes sociais e também enviada à imprensa, Zé Dirceu lamentou profundamente a perda. O ex-ministro afirmou que Barretão foi um “líder”, uma “luz” e também um “lutador incansável pela democracia”. Segundo ele, o produtor não apenas contribuiu para o cinema, mas também esteve ao lado de diversas causas políticas e sociais em momentos delicados da história do país.

Dirceu ainda fez questão de lembrar o apoio recebido da família Barreto durante os anos em que enfrentou perseguições políticas. Na mensagem, destacou que jamais esquecerá a solidariedade demonstrada ao longo desse período e afirmou que preservar a memória de Luiz Carlos Barreto é uma forma de reconhecer sua enorme contribuição para a cultura brasileira. A homenagem repercutiu rapidamente entre aliados políticos e profissionais do setor cultural.

A carreira de Barretão começou a ganhar destaque principalmente na década de 1960, quando participou do movimento Cinema Novo, considerado um divisor de águas para o cinema nacional. Trabalhou como diretor de fotografia em produções importantes, entre elas Vidas Secas, lançado em 1963, obra inspirada no clássico de Graciliano Ramos. Também esteve na produção de Terra em Transe, de 1967, filme dirigido por Glauber Rocha que até hoje é lembrado como um dos maiores clássicos do cinema brasileiro.

Naquela época, sua residência em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, virou um verdadeiro ponto de encontro de cineastas, roteiristas, atores e intelectuais. Muitas ideias surgiam ali em conversas informais que acabavam influenciando novos projetos. Era um ambiente onde arte, política e cultura se misturavam de forma natural, algo que marcou bastante aquela geração.

Outro capítulo importante da sua história foi a parceria de vida e de trabalho com Lucy Barreto. Casados durante 71 anos, os dois fundaram em 1963 a produtora L.C. Barreto, que se transformou em uma das mais importantes empresas do audiovisual brasileiro. Ao longo de décadas, produziram mais de 80 filmes, muitos deles reconhecidos internacionalmente.

Entre os maiores sucessos está Dona Flor e Seus Dois Maridos, lançado em 1976. O filme permaneceu como a maior bilheteria do cinema brasileiro por impressionantes 34 anos, um recorde que parecia impossível de ser quebrado naquela época. Depois vieram produções como O Quatrilho, de 1995, e O Que É Isso, Companheiro?, de 1997. Ambos conquistaram indicação ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, levando o nome do Brasil para uma vitrine mundial.

Em reconhecimento ao conjunto da carreira, Luiz Carlos Barreto e Lucy receberam o Troféu Oscarito em 1999, uma das homenagens mais importantes do cinema nacional. O prêmio simbolizou décadas de dedicação ao fortalecimento da indústria audiovisual brasileira.

Além das produções de sucesso, Barretão também teve atuação firme na defesa de políticas públicas voltadas ao cinema. Era defensor das cotas de tela para filmes nacionais e apoiava mecanismos de incentivo que permitissem a continuidade das produções brasileiras. Também participou da criação do Canal Brasil, tornando-se sócio-fundador da emissora, que até hoje mantém espaço permanente para obras nacionais e novos realizadores.

Com sua morte, o Brasil perde um dos últimos grandes nomes de uma geração que ajudou a transformar o cinema do país. Luiz Carlos Barreto deixa a esposa Lucy, filhos, netos e um legado que dificilmente será esquecido. Até o momento, a família ainda não divulgou informações sobre o velório e o sepultamento, mas diversas homenagens já começaram a surgir nas redes sociais e entre representantes da cultura brasileira.



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