Web resgata fala arrepiante de integrante dos Mamonas Assassinas prevendo tragédia aérea

Há quase 30 anos, o Brasil parava diante de uma notícia que ninguém queria acreditar. A banda Mamonas Assassinas, que dominava rádios, programas de TV e até as rodas de conversa nas escolas, embarcava para mais uma viagem de trabalho. Era pra ser só mais um voo. Só mais um retorno para casa. Mas não foi.

Depois de um show em Brasília, no tradicional estádio Mané Garrincha, o grupo seguiu para o Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo. A apresentação tinha acontecido no dia 2 de março de 1996 e reuniu cerca de 4 mil pessoas. Não era o maior público da carreira deles, mas a energia, segundo relatos da época, estava lá em cima. Quem esteve presente garante que parecia apenas mais uma noite comum de sucesso.

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, momentos antes do embarque, um detalhe chamou atenção anos depois. Júlio Rasec — muitas vezes escrito como Resec por engano em reportagens antigas — estava sendo filmado quando resolveu contar um sonho estranho que teve na noite anterior. Ele olhou para a câmera, com aquele jeito leve e meio brincalhão, e soltou: “Esta noite eu sonhei com um negócio assim: parecia que o avião caía”.

Na hora, ninguém levou muito a sério. Afinal, o humor sempre foi a marca registrada dos Mamonas Assassinas. O público conhecia Dinho pulando no palco, Bento Hinoto com sua guitarra afiada, Samuel Reoli no baixo, Sérgio Reoli na bateria e o próprio Júlio nos teclados. Eles misturavam irreverência, talento musical e letras que grudavam na cabeça. Era impossível imaginar que aquele comentário viraria, horas depois, uma frase que ecoaria como pressentimento.

O voo decolou após o show. A aeronave seguia rumo a São Paulo quando, pouco antes do pouso, colidiu contra a Serra da Cantareira. Não houve sobreviventes. Morreram os cinco integrantes da banda — Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli — além do piloto. A notícia se espalhou de madrugada e, na manhã seguinte, o país acordou em choque.

Quem viveu aquela época lembra exatamente onde estava quando soube. Foi um daqueles momentos que ficam marcados, como a perda de Ayrton Senna dois anos antes. As rádios tocavam “Pelados em Santos” e “Vira-Vira” em sequência, mas agora com um peso diferente, quase impossível de explicar.

Os Mamonas estavam no auge. Tinham lançado apenas um álbum, mas o disco vendeu milhões de cópias em pouquíssimo tempo. Participavam de programas dominicais, davam entrevistas irreverentes e conquistavam crianças, jovens e adultos. Era um fenômeno raro, daqueles que surgem de vez em quando. E, de repente, acabou.

O acidente na Serra da Cantareira não tirou só cinco músicos do cenário artístico. Tirou sonhos, projetos, turnês internacionais que começavam a ser planejadas. Tirou também a leveza que eles levavam para um Brasil que vivia anos de transformação econômica e cultural.

Até hoje, passadas quase três décadas, o assunto volta à tona. Documentários, homenagens, especiais de televisão e relatos emocionados continuam surgindo. A fala de Júlio, registrada em vídeo pouco antes do embarque, sempre reaparece nessas revisões históricas. Muita gente encara como coincidência. Outros preferem chamar de intuição. A verdade é que nunca saberemos.

O que se sabe é que a história dos Mamonas Assassinas terminou cedo demais. E talvez seja por isso que permaneça tão viva na memória coletiva. Porque eles estavam começando. Porque eram jovens. Porque ninguém esperava.

E porque, às vezes, a vida muda em questão de minutos — ou de um voo.



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