Segundo informações reveladas nos documentos, existiria um segundo contrato firmado em agosto de 2025 entre uma empresa ligada a Vorcaro e o escritório da advogada. O valor previsto no acordo seria de R$ 50 milhões. A informação chamou atenção porque o contrato teria sido assinado em um momento delicado para o Banco Master, instituição financeira associada ao empresário.
De acordo com apuração divulgada pelo jornal O Globo, esse novo acordo teria como principal objetivo assegurar o pagamento de valores que ainda estavam pendentes do primeiro contrato, firmado em janeiro de 2024. A estratégia, segundo os relatos apresentados, serviria para garantir que o escritório continuasse recebendo os pagamentos mesmo diante de uma eventual liquidação do banco, cenário que mais tarde realmente acabou acontecendo.
O primeiro contrato entre as partes previa uma remuneração total de R$ 129 milhões, dividida em 36 parcelas. Dados da Receita Federal apontam que 22 dessas parcelas chegaram a ser quitadas, somando pouco mais de R$ 80,2 milhões. Com isso, teria restado um saldo próximo de R$ 50 milhões em aberto.
A preocupação, conforme descrito na delação, era justamente o risco de que esse valor restante não pudesse mais ser pago caso o Banco Master tivesse suas atividades interrompidas ou bloqueadas. Em novembro daquele mesmo ano, a situação financeira da instituição acabou se agravando, aumentando ainda mais as dúvidas sobre o cumprimento dos compromissos assumidos anteriormente.
Mas não é apenas o montante envolvido que está despertando questionamentos. Outro ponto levantado pelas investigações diz respeito aos serviços que teriam sido prestados pelo escritório de Viviane Barci de Moraes. Há suspeitas de que as atividades previstas nos contratos talvez não tenham sido executadas da forma como foi estabelecido nos documentos assinados.
Segundo informações obtidas durante as apurações, órgãos e instituições onde a advogada deveria atuar em nome do Banco Master não registraram movimentações, petições ou outras ações relacionadas à sua participação. Essa ausência de registros passou a alimentar dúvidas entre investigadores e autoridades responsáveis pela análise do caso.
Além disso, a própria delação apresentada por Vorcaro não esclareceu completamente qual teria sido a justificativa para a assinatura do segundo contrato. Isso porque, na época em que o novo acordo foi firmado, o Banco Master já enfrentava dificuldades significativas e caminhava para o encerramento de suas operações. Para alguns observadores, essa circunstância torna a contratação ainda mais difícil de compreender.
O escritório Barci de Moraes, por sua vez, nega qualquer irregularidade. Em nota, a defesa afirmou que não existiu um novo contrato de prestação de serviços envolvendo empresas ligadas a Daniel Vorcaro nos termos apontados pela delação. Os representantes da banca também contestam as conclusões apresentadas e sustentam que todas as atividades realizadas seguiram os parâmetros legais.
Já o ministro Alexandre de Moraes preferiu não comentar o assunto. Até o momento, ele não se manifestou publicamente sobre as informações divulgadas nem sobre os questionamentos envolvendo o escritório de sua esposa.
O caso continua cercado de atenção por envolver figuras de grande relevância no cenário político, jurídico e financeiro do país. Com a apresentação de uma nova versão da delação, a expectativa agora é saber se a Polícia Federal e os demais órgãos responsáveis considerarão os novos elementos suficientes para aprofundar as investigações ou até mesmo reavaliar a colaboração apresentada por Daniel Vorcaro.