A semana passada terminou daquele jeito que a gente já até espera quando o assunto envolve Jair Bolsonaro e o rolo do suposto plano de golpe. A Primeira Turma do STF, mais uma vez afinada, derrubou por unanimidade todos os recursos apresentados pelas defesas — tanto do ex-presidente quanto dos outros condenados que entraram na dança. Foi um recado firme, quase seco, dizendo: “não adianta empurrar com a barriga”. Agora, tudo encaminha pra uma nova etapa que começa oficialmente com a publicação do acórdão, prevista pra terça-feira, dia 18. Esse papelzão aí é como se fosse a ata final da decisão do colegiado, amarrando tudo direitinho no processo.
E é só depois dessa publicação que abre um prazo curtinho — cinco dias — pra defesa do Bolsonaro e dos demais apresentar o último recurso possível dentro do rito. Especialistas dizem que esse é, basicamente, o suspiro final. Depois disso, não tem mais muito pra onde correr. A defensiva vira torcida.
Se esse novo recurso cair também, aí acontece o famoso “trânsito em julgado”, que é quando a condenação vira definitiva e as penas começam a valer de verdade. Oficialmente, os ministros analisam essa etapa no plenário virtual da Primeira Turma. Cada um tem uma semaninha pra depositar seu voto. Ou seja: no papel, isso tudo empurraria uma eventual prisão do ex-presidente lá pra dezembro, já coladinho com o fim do ano, aquele período em que Brasília normalmente esvazia mais do que ponto de ônibus depois da meia-noite.
Mas — e sempre tem um mas nessa história — o roteiro pode virar de repente. Existe a chance de o relator, Alexandre de Moraes, agir antes mesmo desse prazo acabar. Ele já fez isso antes. Quando julgou o caso do Fernando Collor, Moraes decidiu pela prisão de forma imediata, argumentando que o recurso da defesa era só enrolação, sem fatos novos, quase um “Ctrl C + Ctrl V” pra ganhar tempo. Naquele julgamento, ele deixou claro que quando o recurso serve só pra empacar o processo, o STF pode mandar iniciar o cumprimento da pena antes de o trânsito em julgado ser declarado.
Agora, muita gente no meio jurídico está dizendo que esse roteiro pode se repetir. Se o ministro enxergar o recurso do Bolsonaro como mais do mesmo — aquela coisa sem nada realmente novo, só pra esticar o elástico — a prisão pode cair ainda em novembro. Isso mesmo: antes do Brasil engatar clima de Copa do Mundo feminina, Black Friday e esse turbilhão típico de final de ano.
Esse cenário tem deixado tanto o mundo político quanto o jurídico em estado de alerta máximo. Nas redes sociais, inclusive, já tem apoiador do ex-presidente especulando, reclamando, dizendo que tudo é perseguição — o que virou quase um reflexo automático nesses casos. Do outro lado, críticos apontam que a demora em cumprir as decisões só alimenta teorias de conspiração, o que acaba bagunçando ainda mais um país que já tá cansado de crise atrás de crise.
Nessa altura, todo mundo tá de olho no bendito acórdão e, principalmente, no humor do Moraes nos próximos dias. Parece até novela das nove: cada passo, cada sinalzinho, vira análise, aposta, meme. Mas não dá pra negar que, juridicamente falando, o momento é decisivo. Se o relator entender que a defesa está só empurrando o processo pra frente, o ex-capitão pode acabar atrás das grades mais rápido do que muita gente imaginava — e isso, claro, mexe com o tabuleiro inteiro da política brasileira.
Agora é esperar. Brasília já tá acostumada com tempestades, mas essa pode ser daquelas que respinga pra todo lado. Vamos ver como a história escorre a partir da terça-feira.