Vídeo: Tarcísio manda recado impactante para Lula após ataque dos EUA à Venezuela

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), usou as redes sociais neste sábado (3/1) para comentar o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que terminou com a captura de Nicolás Maduro. Sem citar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Tarcísio deixou clara a crítica ao Palácio do Planalto e reacendeu uma disputa política que já vinha quente desde o ano passado.

Em tom duro, o governador afirmou que o mundo amanheceu com a imagem simbólica de um “ditador cruel e corrupto capturado”. Para ele, a queda de uma ditadura não acontece “da noite para o dia” e só se torna possível depois de um longo período marcado por “conivência, omissão e até apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de companheiro”. A frase foi lida, nos bastidores, como um recado direto a Lula e à relação histórica do petista com o regime chavista.

Embora Lula tenha se afastado publicamente de Maduro desde 2024, após suspeitas de fraude nas eleições venezuelanas, a ligação passada entre os dois líderes ainda é usada como munição pela direita. E Tarcísio fez questão de reforçar isso. Em outro trecho da publicação, o governador afirmou que a Venezuela estaria “vencendo a esquerda” e completou com uma provocação eleitoral: “E no final do ano, o Brasil também vence”.

O tom político não foi por acaso. Aliados de Tarcísio avaliam que o episódio internacional virou combustível para o discurso ideológico no Brasil, especialmente em São Paulo, onde o governador tenta se consolidar como uma das principais vozes da oposição a Lula.

Prefeito entra no debate
Mais cedo, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), também se manifestou sobre o ataque dos EUA. Sem criticar a ação americana, Nunes afirmou que nenhum povo deve viver sob repressão e disse que São Paulo segue de “braços abertos” para receber venezuelanos que fugiram do que chamou de governo ditador.

“Nenhum povo deve viver sob repressão, fome ou falta de liberdade. Continuaremos solidários ao povo da Venezuela, desejando que dias melhores e mais justos estejam por vir”, escreveu o prefeito. A fala seguiu o mesmo roteiro adotado por lideranças da direita, que evitaram qualquer censura à atuação dos Estados Unidos.

Repercussão no governo paulista
O governador em exercício, Felício Ramuth (PSD), foi ainda mais direto. Em suas redes sociais, comemorou a prisão de Maduro e disse que a queda de uma ditadura faz a esperança renascer. Para Ramuth, o episódio pode marcar o início de um novo tempo de liberdade e prosperidade para os venezuelanos.

Já o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário da Segurança de Tarcísio, aproveitou o momento para colar a imagem de Lula à de Maduro. “O grande amigo do Lula foi capturado hoje, depois de perseguir, calar, expulsar e matar seu próprio povo por décadas”, escreveu. A publicação teve ampla repercussão entre apoiadores do bolsonarismo.

Esquerda reage com críticas
Do outro lado do espectro político, a reação foi imediata e totalmente oposta. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSol), classificou a ação dos EUA como a “mais grave ação imperialista” dos últimos tempos. Para ele, o ataque tende a agravar ainda mais a crise humanitária no país vizinho.

A deputada federal Erika Hilton (PSol) seguiu a mesma linha e afirmou que não houve qualquer planejamento para uma transição democrática. Segundo ela, o que ocorreu foi apenas uma remoção forçada, capaz de gerar mais caos e sofrimento ao povo venezuelano.

Enquanto o cenário internacional ainda levanta dúvidas sobre os próximos passos na Venezuela, em São Paulo o episódio virou, rapidamente, palco de mais um confronto político. E tudo indica que esse debate ainda vai render — principalmente com as eleições no radar.



Recomendamos