No podcast PodCrê, o pastor Raphael Abdalla resolveu entrar num assunto que vive gerando debate entre os próprios evangélicos — principalmente quando o tema envolve diferenças entre igrejas. A pergunta era direta, quase daquelas que sempre aparecem em comentários de vídeo: afinal, por que os batistas não falam em línguas?
Logo de cara, Abdalla — que preside a Convenção Batista Brasileira — tentou simplificar o que muita gente acha complicado demais. Segundo ele, não tem mistério escondido nem nada conspiratório, é basicamente uma questão de doutrina mesmo. Ele explicou que os batistas acreditam sim nos dons espirituais, isso não está em discussão. Porém, existe um ponto específico onde eles seguem uma linha diferente de outras denominações, especialmente as pentecostais.
Na prática, os batistas tradicionais não adotam a chamada glossolalia, que é esse fenômeno conhecido popularmente como “falar em línguas estranhas”. Esse costume, muito comum em igrejas pentecostais, não faz parte da vivência batista. E isso não significa, segundo o pastor, que eles neguem o agir do Espírito Santo — pelo contrário, só entendem de outra forma.
Tentando deixar ainda mais claro (até porque o assunto sempre gera confusão), Abdalla resolveu explicar como funciona a visão doutrinária deles sobre salvação e o Espírito Santo. Ele disse algo interessante: para os batistas, a salvação é um ato único, direto. Nesse momento exato, quando a pessoa se converte, ela já recebe o Espírito Santo. Não existe uma “segunda etapa obrigatória” depois disso, como alguns acreditam.
Mas aí vem um detalhe importante que ele fez questão de destacar. Embora a salvação seja um ato, a caminhada cristã não para ali. Começa então um processo chamado santificação — que, segundo ele, é contínuo, meio que pro resto da vida. Nesse período, o relacionamento com o Espírito Santo continua firme, até mais intenso, só que não no sentido de “receber de novo”, mas sim de se encher, crescer, amadurecer.
Ele explicou isso de um jeito bem didático, quase como quem tenta evitar interpretações erradas. Disse que, na visão deles, o chamado “batismo no Espírito Santo” acontece justamente no momento da conversão. Ou seja, não está ligado ao falar em línguas, nem a manifestações externas visíveis. É algo mais interno, espiritual, digamos assim.
E aí entra outro ponto que costuma gerar até críticas nas redes sociais — especialmente hoje em dia, onde tudo vira debate rápido e, às vezes, raso. Existe uma ideia, meio espalhada por aí, de que batistas não acreditam no Espírito Santo. Abdalla rebateu isso com certa firmeza, mas sem entrar em clima de ataque.
Ele afirmou que essa visão é equivocada. Segundo ele, a presença do Espírito Santo não depende de manifestações visíveis ou de experiências específicas, como falar em línguas. Não é uma questão estética ou emocional, mas sim espiritual e doutrinária. Em outras palavras, não é porque não aparece externamente que não existe.
Apesar das diferenças — que são reais, não dá pra negar — o pastor também fez questão de enfatizar o respeito entre as igrejas. E isso chamou atenção, porque foge um pouco daquela ideia de disputa religiosa que muita gente imagina. Ele contou que já pregou em igrejas pentecostais e foi bem recebido. Da mesma forma, líderes pentecostais também já estiveram em igrejas batistas, com respeito mútuo.
No fim das contas, ele deixou uma reflexão interessante. Disse que, na visão dele, existem muito mais coisas que unem os cristãos do que aquelas que separam. E talvez isso explique o tom mais tranquilo da fala dele — sem polêmica exagerada, sem atacar ninguém, só tentando esclarecer um assunto que, volta e meia, vira discussão nas redes.
É aquele tipo de tema que dificilmente vai ter consenso total. Mas pelo menos, com explicações assim, dá pra entender melhor o lado de cada um… mesmo que a pessoa continue discordando, né.