Marrone, da dupla sertaneja com Bruno, abriu o coração de um jeito raro no último domingo (13), durante o programa Viver Sertanejo, exibido pela TV Globo. Aos 60 anos, o cantor resolveu dividir com o público um capítulo difícil da sua vida — e não foi só sobre música. Ele falou sobre a luta contra a ansiedade, episódios de depressão e o impacto que uma cirurgia nos olhos teve em sua saúde mental e emocional.
Durante a entrevista, visivelmente emocionado em alguns momentos, Marrone relembrou o período após o procedimento para tratar o glaucoma. “Só quem passa e Deus mesmo”, desabafou o artista, que há décadas está na estrada ao lado do parceiro Bruno. Segundo ele, o pós-operatório foi um gatilho para crises intensas de ansiedade — algo até então inédito em sua trajetória.
O curioso é que, mesmo enfrentando tudo isso, Marrone seguiu firme nos compromissos com a dupla. O público, que lota shows por onde eles passam, nem imaginava o que se passava por trás do sorriso no palco. “Passei momentos que, às vezes, ele (Bruno) nem sabe. Já me deu ânsia de vômito, medo de entrar no palco, ansiedade louca, depressão. Graças a Deus eu conseguia fazer o show”, revelou.
Não foi fácil. E ele faz questão de destacar que nem tudo que brilha no palco é ouro. “Tem dia que você entra no palco com o coração despedaçado, mas a galera quer ver alegria. Então a gente entrega, mesmo machucado por dentro”, comentou, olhando fixo pra câmera.
Durante a conversa com o apresentador, Marrone refletiu também sobre sua personalidade. Disse que sempre foi um cara tranquilo, calmo — mas que isso não o blindou dos problemas. “Acho que minha sabedoria está na minha lentidão. Já passei por muita coisa na vida, e essa foi mais uma prova”, afirmou.
A cirurgia, por mais que tenha sido necessária, veio com um preço emocional alto. “É difícil explicar. Um dia eu tava bem, no outro tava me sentindo fora do ar. O olho mexe com tudo, você perde um pouco da referência”, relatou. E completou: “Eu sentia como se estivesse desconectado. Só de lembrar me dá um aperto”.
O cantor também revelou que a rotina intensa do mundo da música acabou piorando a situação. “Eu sou muito agitado, ansioso pra caramba, elétrico mesmo. Gosto de fazer mil coisas ao mesmo tempo, de estar sempre criando, mexendo com música. Parar pra mim é difícil”, confessou, com um tom de brincadeira, mas deixando claro que o estilo de vida teve um peso.
E não é à toa que tantos artistas estão abrindo o jogo sobre saúde mental nos últimos tempos. Em 2024, diversos nomes do sertanejo, do pop e até da política começaram a falar mais sobre isso, quebrando o tabu. Marrone entra nessa lista com coragem, mostrando que até os mais experientes também precisam de cuidado e acolhimento.
Mesmo com tudo isso, ele garantiu que segue firme, se cuidando mais e aprendendo a lidar com os altos e baixos. “Hoje em dia eu falo, me abro mais. Aprendi que não tem vergonha nenhuma em dizer que a cabeça tá pesada. Às vezes é isso que salva.”
No fim das contas, Marrone mostrou que por trás da voz marcante e das músicas que embalam tantas histórias, existe um ser humano real, com medos, cicatrizes e muita vontade de continuar.
Confira: