A jornalista Juliana Leite, que ficou conhecida nas redes por aqueles vídeos em que ela reage, meio indignada meio bem-humorada, a conteúdos virais de figuras públicas, voltou a movimentar a internet nos últimos dias. Tudo por causa de uma participação dela no podcast “Pod Tudo e + um Pouco”, onde acabou soltando umas opiniões bem atravessadas que, claro, repercutiram rápido — como quase tudo hoje em dia, né? Ainda mais agora, com essa onda de cortes de podcasts pipocando no TikTok e no Instagram.
Durante a conversa no estúdio, Juliana não mediu palavras ao comentar o quadro de depressão enfrentado pelo padre Fábio de Melo. A fala soou, pra muita gente, como insensível demais. Ela disparou algo como: “É desculpa, sabe? Todo mundo sabe de onde vem essa depressão. Nada desse cara é real.”
A forma direta e dura com que ela disse isso deixou o clima até meio desconfortável. Parecia uma mistura de desabafo com crítica pessoal.
Aí o apresentador, Flàvio Méllo, tentando entender melhor aquele posicionamento, perguntou se ela realmente acreditava que o padre representa o catolicismo brasileiro — que vive, inclusive, um momento bem delicado com tantas discussões internas, posicionamentos públicos e até polêmicas envolvendo líderes religiosos. Juliana, que sempre menciona ser católica praticante, respondeu de maneira seca, quase definitiva.
Segundo ela, “nenhum padre do Rio gosta dele, lógico que não”. A jornalista continuou dizendo que o sacerdote usaria a imagem de religioso como uma espécie de escudo, insinuando que ele vive mais como celebridade do que como membro do clero. Chegou a afirmar que Fábio de Melo deveria ser “expulso” da fé católica e seguir a vida de popstar — uma opinião que, convenhamos, acaba atiçando ainda mais os fãs do padre, que não são poucos.
Juliana insistiu na ideia de que a depressão dele teria uma origem “óbvia”, embora não tenha detalhado o que queria dizer com isso. Pra completar, ela criticou o fato de o padre atribuir parte de suas crises à pressão da internet. Disse que isso seria “fácil” e que “ninguém que vive a própria verdade é livre”. A frase, apesar de confusa, parecia querer dizer que o problema do padre seria interno, não externo. No fim, ela concluiu afirmando que, mesmo sendo católica, não se sente representada por ele.
A repercussão, como já era esperado, foi intensa. Em um momento em que se discute tanto saúde mental — especialmente depois da pandemia e com o aumento absurdo dos casos de ansiedade no Brasil — falar desse jeito soa, no mínimo, arriscado. Até porque o próprio padre Fábio de Melo já relatou diversas vezes, em entrevistas, palestras e livros, suas lutas com depressão, ansiedade e síndrome do pânico. Ele fala disso há anos, sempre destacando o quanto buscar ajuda médica e acompanhamento profissional foi essencial pra ele conseguir se manter funcional.
Em relatos anteriores, o padre contou que, em alguns períodos, mal conseguia sair de casa, e que os sintomas físicos e emocionais eram intensos a ponto de comprometer até atividades simples do cotidiano. Esse tipo de abertura pública, principalmente vindo de alguém tão conhecido, costuma ajudar muita gente que sofre em silêncio. Por isso mesmo, as críticas da jornalista acabaram sendo vistas como desnecessárias — quase uma invalidação da experiência alheia.
No fim das contas, o episódio reacende um debate que parece não ter fim: até onde vai a liberdade de opinião quando o assunto é saúde mental? E, mais ainda, até que ponto figuras públicas precisam lidar com julgamentos que ignoram completamente a complexidade do que elas vivem? É aquele papo que volta e meia aparece nos trending topics — empatia não deveria ser opcional, especialmente num país onde milhões enfrentam transtornos psicológicos e não têm nem metade do suporte necessário.
Confira: