Assim que a morte de Maguila foi confirmada nesta quinta-feira (24), um vídeo antigo de uma entrevista dele nos anos 90 começou a circular de novo na internet. Era uma participação num programa de TV, onde ele falava sobre homossexualidade de um jeito bem direto e, de certa forma, sem preconceito. O curioso é que, na simplicidade dele, Maguila mostrava uma visão até progressista pra época.
No vídeo, ele dizia algo como: “Pra mim, esse negócio de homossexualismo (sic) é pra quem tem estudo e inventou esse nome aí científico. Eu não tenho estudo. O homem, o viado (sic) não é uma doença. Ele nasceu com o dom de gostar de homem. Eu não acho que seja doença. A pessoa já nasceu assim”. É uma fala cheia de expressões bem populares, mas que deixava claro que ele não via o fato de alguém ser homossexual como algo errado ou prejudicial.
Aí ele ainda emendava falando como lidaria com a situação se tivesse que explicar isso pro filho. Ele tinha um filho pequeno na época e dizia que, se o menino perguntasse o que era ver dois homens se beijando, ele responderia: “Os dois são viados (sic)”. E completava: “Se querem se beijar, tudo bem”. Era uma forma simples de tratar um assunto que muita gente tinha dificuldade de aceitar ou mesmo discutir abertamente naquela época. Claro que ele usava termos que hoje são vistos como inadequados, mas, olhando o contexto e a época, dava pra ver que ele tentava passar uma mensagem de respeito à diferença.
Agora, com a morte de Maguila, várias pessoas começaram a relembrar esse vídeo como uma prova de que ele, mesmo com sua simplicidade, era uma figura autêntica e sem preconceitos. Ele sempre foi esse tipo de pessoa, que falava o que pensava, do jeito que sabia, mas com honestidade. Acho que é por isso que ele cativou tanta gente, não só no boxe, mas também fora dos ringues.
Depois que a notícia da morte dele foi confirmada, muitos famosos e fãs foram para as redes sociais prestar homenagens. Maguila, afinal, foi um ícone do esporte brasileiro. Ele teve uma carreira marcante no boxe, enfrentando lutas importantes e ganhando o respeito de muita gente. Além disso, ele sempre foi uma figura carismática, com aquele jeito bonachão que o público adorava.
Maguila morreu aos 65 anos, e nos últimos tempos ele lutava contra uma doença chamada ETC, que é a Encefalopatia Traumática Crônica. É uma doença parecida com o Alzheimer, mas que, no caso dele, foi causada pelos vários golpes que ele levou na cabeça ao longo da carreira. É algo que muitos atletas, especialmente os de esportes de contato, acabam desenvolvendo depois de anos de atividade intensa. A saúde dele já vinha se deteriorando há algum tempo, e ele passou seus últimos anos lidando com as complicações dessa doença.
Essa condição, a ETC, é algo que tem sido bastante discutido hoje em dia, especialmente no meio esportivo. Cada vez mais, a gente ouve falar sobre os riscos de esportes que envolvem muitos impactos na cabeça, como o boxe e o futebol americano. No caso de Maguila, infelizmente, esses danos acabaram marcando o fim da sua vida de maneira bem triste. Ele foi um lutador dentro e fora dos ringues, e acho que a maioria das pessoas vai se lembrar dele por isso.
A morte de Maguila, pra mim, é uma daquelas perdas que deixam um vazio. Ele não era só um grande atleta, era uma figura querida pelo povo. Tinha aquele jeito simples, sem frescura, que conquistava o carinho das pessoas. E, mesmo depois de se afastar dos holofotes por conta da doença, o legado dele continuou presente. O Brasil perde um grande ídolo, alguém que representou muita coisa boa tanto no esporte quanto na vida.
Eu, particularmente, me lembro de ver ele nas lutas, com aquele jeito meio desengonçado, mas que sempre dava tudo de si no ringue. Era emocionante assistir. E mesmo com todas as dificuldades que enfrentou no fim da vida, acho que o Maguila vai ser lembrado com muito carinho por todo mundo que acompanhou a trajetória dele. Que descanse em paz.