A equipe responsável pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República avalia que a polêmica envolvendo Michelle Bolsonaro acabou tendo um efeito bem menor do que se imaginava inicialmente. Nos bastidores, integrantes do grupo afirmam que o vídeo publicado pela ex-primeira-dama, no qual ela faz críticas ao senador, não provocou danos significativos ao projeto político do parlamentar.
Desde que Michelle Bolsonaro divulgou o vídeo, na última semana, dizendo que foi humilhada por Flávio Bolsonaro, a equipe do senador passou a acompanhar de perto a repercussão do caso. O monitoramento teve como foco principal as redes sociais, onde o episódio ganhou grande visibilidade e gerou milhares de comentários de apoiadores e críticos da família Bolsonaro.
De acordo com pessoas ligadas à pré-campanha, a expectativa era de que o conflito pudesse provocar um desgaste mais intenso entre os eleitores identificados com o bolsonarismo. No entanto, após vários dias analisando a movimentação nas plataformas digitais, a conclusão foi diferente. A avaliação interna é de que a crise gerou apenas um momento de turbulência, sem reflexos importantes na imagem de Flávio.
Os estrategistas da campanha afirmam que boa parte das manifestações negativas acabou sendo direcionada à própria Michelle Bolsonaro. Segundo esse grupo, muitos apoiadores de Flávio passaram a chamá-la de “Michelle Firmo”, utilizando seu sobrenome de solteira como forma de crítica durante as discussões nas redes sociais.
Esse comportamento chamou a atenção dos aliados do senador, que consideraram positivo o nível de mobilização dos apoiadores em defesa de Flávio. Na avaliação deles, o episódio serviu para mostrar que uma parcela expressiva da base bolsonarista permaneceu ao lado do senador mesmo após a divulgação das declarações da ex-primeira-dama.
Nos bastidores, integrantes da campanha afirmam que essa percepção não está baseada apenas no que foi observado nas redes sociais. Segundo eles, levantamentos internos, conhecidos como trackings, também indicam que o impacto eleitoral da polêmica foi limitado e não alterou de maneira relevante o cenário da disputa presidencial.
Além das pesquisas realizadas pela própria equipe de campanha, aliados de Flávio também citam os números divulgados pelo instituto BTG/Nexus. O levantamento, publicado nesta segunda-feira (29), reforçou a avaliação de que o senador continua competitivo na corrida pelo Palácio do Planalto.
Conforme os dados apresentados pela pesquisa, Flávio Bolsonaro aparece com 44% das intenções de voto em um cenário de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que registra 47%. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, o resultado caracteriza um empate técnico entre os dois candidatos.
Mesmo com a diferença numérica favorável a Lula, integrantes da pré-campanha interpretam os números como um sinal de estabilidade. Na visão desse grupo, o episódio envolvendo Michelle Bolsonaro não foi suficiente para alterar de forma significativa o desempenho eleitoral do senador ou reduzir o apoio entre os eleitores mais fiéis ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar dessa leitura otimista feita por aliados de Flávio, o cenário político segue em constante movimento. Novos acontecimentos, pesquisas e desdobramentos podem influenciar a disputa presidencial nos próximos meses, tornando o ambiente eleitoral ainda mais competitivo à medida que a campanha se aproxima.