Donald Trump voltou a causar barulho nas redes sociais nesta última quinta-feira (05), depois de compartilhar um vídeo que muita gente considerou pesado demais, até pros padrões dele. A publicação mostrava o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a ex-primeira-dama Michelle Obama retratados como macacos, com os rostos do casal sobrepostos em imagens de animais. O vídeo foi postado na Truth Social, rede criada pelo próprio Trump, e rapidamente se espalhou por outras plataformas.
Pra piorar a situação, a trilha sonora escolhida foi a música “The Lion Sleeps Tonight”, aquela clássica que todo mundo já ouviu em algum momento da vida. A combinação das imagens com a música acabou dando um tom ainda mais ofensivo ao conteúdo, o que gerou uma enxurrada de críticas quase imediatas. Em poucas horas, o assunto já estava entre os mais comentados do X, antigo Twitter, dividindo opiniões, mas com ampla maioria de reprovação.
Segundo o gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, o comportamento de Trump foi classificado como “repugnante”. A fala veio em forma de nota oficial, mas refletiu o sentimento de boa parte da classe política ligada ao Partido Democrata. Nos bastidores, aliados de Obama também demonstraram indignação, embora alguns tenham preferido não se manifestar publicamente, evitando alimentar ainda mais a polêmica.
A Casa Branca, por sua vez, tentou minimizar o estrago. Em comunicado enviado à AFP, a porta-voz Karoline Leavitt afirmou que se tratava apenas de um “meme da internet”. Segundo ela, o vídeo mostraria Trump como o “Rei da Selva” e os democratas como personagens inspirados no filme “O Rei Leão”. A nota ainda pediu que a imprensa parasse com o que chamou de “indignação falsa” e passasse a noticiar assuntos que realmente importam para o povo americano. A explicação, no entanto, não convenceu muita gente.
Nas redes sociais, o clima foi de revolta. Internautas chamaram o conteúdo de racista, ofensivo e desumano. “Isso não é polêmica, é racismo puro”, escreveu uma usuária, que recebeu milhares de curtidas e compartilhamentos. Outro comentário bastante repercutido dizia que Trump “nem tenta mais disfarçar” suas posições e provocações. Teve também quem lembrasse que comparar pessoas negras a macacos é uma prática histórica de desumanização, usada ao longo de décadas para justificar preconceitos.
O caso acontece em um momento sensível da política americana, com a eleição presidencial se aproximando e Trump cada vez mais ativo nas redes, usando o choque e a provocação como estratégia. Não é de hoje que ele aposta nesse tipo de conteúdo para mobilizar sua base mais fiel, mesmo que isso custe críticas internacionais e desgaste institucional. Especialistas em comunicação política apontam que esse tipo de postagem não é acidental, mas parte de uma narrativa calculada.
Apesar da tentativa de tratar tudo como brincadeira ou meme, o episódio reacende um debate antigo sobre limites do humor, discurso de ódio e responsabilidade de figuras públicas. Quando um ex-presidente publica algo assim, o impacto vai muito além da internet. Influencia eleitores, normaliza comportamentos e deixa marcas difíceis de apagar.
🚨Trump publicou um vídeo retratando Obama e Michelle como macacos. Isso não é “polêmica”, é r4cismo puro e desumanização. A extrema direita normaliza o ódio. Repugnante! pic.twitter.com/OuPPMtT4YC
— Monica Seixas (@MonicaSeixas) February 6, 2026
No fim das contas, mais uma vez Trump consegue o que parece querer: atenção. Mas o preço disso, segundo muitos analistas, é a banalização do preconceito e o aumento da tensão social. E enquanto uns defendem, outros se perguntam até onde isso tudo vai chegar.