O que era pra ser só mais uma manhã comum no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, acabou virando uma cena de crime daquelas difíceis de acreditar. Na quarta-feira, dia 8 de abril, por volta das 10h30, duas mulheres foram mortas a tiros em plena luz do dia, e o principal suspeito é um policial militar que, pasmem, estava de serviço no momento.
O nome dele é Luiz Gustavo Xavier do Vale, cabo da Polícia Militar do Espírito Santo. Segundo as primeiras informações, ele teria sido chamado pela ex-companheira pra ajudar numa discussão meio confusa entre ela e as duas vítimas. Todo mundo morava no mesmo prédio, só que em andares diferentes, o que já mostra que o clima ali não devia ser dos melhores fazia tempo.
As vítimas foram identificadas como Daniele Toneto, de 45 anos, e Francisca Chaguina Dias Viana. A idade da Francisca, por algum motivo, não foi divulgada até agora, o que levanta até umas dúvidas, mas enfim… o fato é que as duas estavam sentadas na calçada, do outro lado da rua, quando tudo aconteceu.
E não é história contada por vizinho não, viu. Câmeras de segurança flagraram tudo. No vídeo, dá pra ver a viatura chegando, o cabo descendo com outros policiais, tudo aparentemente dentro da normalidade. Só que minutos depois, do nada, ele puxa a arma e começa a atirar.
Uma das mulheres cai ali mesmo, na hora. A outra ainda tenta correr, talvez achando que conseguiria escapar, mas não teve jeito. O policial foi atrás e efetuou mais disparos. Um detalhe que chama muita atenção — e revolta também — é que os outros policiais que estavam junto não interferiram. Ficaram ali, meio sem reação, ou sei lá… difícil entender.
Uma das vítimas morreu no local. A outra até chegou a ser socorrida pelo Samu, mas não resistiu e morreu no hospital. As autoridades não disseram qual delas foi atendida primeiro, e isso acabou ficando meio em aberto nas informações iniciais.
Agora vem outra parte que complica ainda mais a situação. O cabo Luiz Gustavo não estava exatamente na rua trabalhando normalmente. Ele já estava afastado de funções operacionais, atuando internamente, por conta de um outro caso — a morte de uma mulher trans lá em 2022. Ou seja, já tinha histórico pesado nas costas.

Mesmo assim, ele estava fardado, armado e usando uma viatura oficial. Isso levanta uma série de perguntas sobre controle interno, fiscalização, essas coisas que a gente sempre ouve falar mas raramente vê funcionando direito.


Depois dos disparos, o próprio policial colocou a arma no chão e se entregou. Foi preso em flagrante pelos colegas e levado para uma delegacia da Polícia Civil. Ele foi autuado por duplo homicídio qualificado e encaminhado ao presídio militar. O caso vai ser julgado pela Justiça comum, já que não entra como crime militar.
Na parte administrativa, a Polícia Militar informou que vai abrir um inquérito pra investigar possíveis irregularidades, como abandono de posto e uso indevido da viatura. Mas, sendo bem sincero, isso aí é o mínimo, né.
O vice-governador do estado, Ricardo Ferraço, se pronunciou e classificou o caso como “conduta inadmissível”. Disse também que esse tipo de comportamento não representa a corporação. É aquele tipo de declaração padrão, mas que mostra o tamanho da repercussão.
Manifesto minha profunda indignação diante do duplo homicídio ocorrido hoje em Cariacica. pic.twitter.com/iGUYTVd0SU
— Ricardo Ferraço (@RicardoFerraco) April 8, 2026
Até o momento, a defesa do policial não foi localizada. O espaço segue aberto, segundo as autoridades, caso queiram se manifestar.
No fim das contas, fica aquele sentimento estranho. Mais um caso violento, mais duas vidas perdidas e um monte de perguntas sem resposta. Coisa que, infelizmente, parece estar virando rotina no noticiário.