A Caminhada pela Justiça e Liberdade, liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), chegou ao seu 90º quilômetro no início da tarde desta quarta-feira (21). Desde a última segunda-feira (19), quando o grupo saiu de Paracatu, em Minas Gerais, o movimento vem ganhando corpo, apoio e também críticas. A proposta é simples, ao menos no discurso: caminhar até Brasília para chamar atenção sobre decisões judiciais relacionadas aos atos de 8 de janeiro e à situação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Não é só uma caminhada física. Segundo os organizadores, o gesto tem peso simbólico e político. A cada passo, o grupo tenta mostrar que existe uma parcela da população insatisfeita com a atuação do Judiciário, especialmente do Supremo Tribunal Federal. Em tempos de redes sociais inflamadas, CPI para todo lado e clima político sempre quente, a iniciativa acabou virando mais um capítulo da polarização que o país vive.
Como já havia mostrado o Pleno.News, o ato deve durar sete dias e busca dar visibilidade a casos de pessoas presas ou punidas após os acontecimentos de 8 de janeiro, que a direita classifica como decisões exageradas ou até injustas. Além disso, os participantes defendem um tratamento mais digno aos envolvidos nos atos e também ao ex-presidente Bolsonaro, que segue no centro do debate político nacional, mesmo fora do Planalto.
O ponto de partida da caminhada foi Paracatu, cidade onde Nikolas esteve para cumprir agenda oficial e participar da entrega de uma emenda parlamentar. De lá, o destino final é Brasília. No caminho, o deputado adotou uma estratégia curiosa: a cada 10 quilômetros percorridos, ele relembra a história de uma pessoa que, segundo ele, foi punida de forma desproporcional pelos eventos de 8 de janeiro ou acabou se tornando alvo de decisões do STF. No marco do 90º quilômetro, o nome citado foi justamente o de Jair Bolsonaro, arrancando aplausos de apoiadores que acompanhavam o trajeto.
O movimento, que começou de forma mais discreta, vem crescendo dia após dia. A expectativa dos organizadores é que mais pessoas se juntem ao grupo até a chegada à capital federal. E isso não se limita apenas a apoiadores anônimos. Diversos políticos já confirmaram presença ou apoio público à caminhada, reforçando o caráter político do ato.
Entre os nomes confirmados estão o vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), o vereador de Erechim Rony Gabriel, a vereadora de Fortaleza Bella Carmelo (PL) e o deputado estadual Carmelo Neto (PL-CE). Também devem participar os deputados federais Filipe Barros (PL-PR), Sargento Fahur (PSD-PR) e Luiz Lima (Novo-RJ). A presença desses nomes ajuda a dar mais visibilidade nacional ao movimento e amplia o alcance da mensagem defendida pelo grupo.
Enquanto apoiadores enxergam a caminhada como um protesto legítimo e pacífico, críticos afirmam que a iniciativa tenta reescrever os fatos de 8 de janeiro e pressionar instituições. Nas redes, o assunto divide opiniões, vira meme, debate sério e até briga em comentário. Nada muito diferente do que o Brasil já se acostumou nos últimos anos.
Se vai gerar efeitos concretos ou não, ainda é cedo pra dizer. Mas uma coisa é certa: a Caminhada pela Justiça e Liberdade já conseguiu o que muitos atos políticos buscam hoje em dia — chamar atenção, provocar debate e manter acesa a chama da disputa política que, ao que tudo indica, ainda vai longe.
Confira os nomes de quem está ou já esteve na caminhada (alguns nomes participaram pontualmente e não seguirão durante todo o trajeto):
Nikolas Ferreira, deputado federal por Minas Gerais
André Fernandes, deputado federal pelo Ceará
Gustavo Gayer, deputado federal por Goiás
Guilherme Batista, pregador
Marcelo Bonifácio, cantor
Pablo Almeida, vereador por Belo Horizonte (MG)
Wess Guimarães, influenciador
Carlos Bolsonaro, ex-vereador pelo Rio de Janeiro (RJ)
Luciano Zucco, deputado federal pelo Rio Grande do Sul
Rafael Satiê, vereador pelo Rio de Janeiro (RJ)
Fernando Holiday, vereador por São Paulo (SP)
Carlos Jordy, deputado federal pelo Rio de Janeiro
Sargento Gonçalves, deputado federal pelo Rio Grande do Norte
Major Vitor Hugo, vereador por Goiânia (GO)
Luiza Cunha, filha de Cleriston Pereira da Cunha, o Clezão
Thiago Medina, vereador pelo Recife (PE)
João Pedro Pugina, vereador por Araçatuba (SP)
Magno Malta, senador pelo Espírito Santo
Lucas Pavanato, vereador por São Paulo (SP)
Lucas Polese, deputado estadual pelo Espírito Santo
Pedro Poncio, ex-MST
Sebastião Coelho, ex-desembargador
Eduarda Campopiano, vereadora por Praia Grande (SP)
Junio Amaral, deputado federal por Minas Gerais
Chiara Biondini, deputada estadual por Minas Gerais
Vile Santos, vereador por Belo Horizonte (MG)
Douglas Garcia, ex-deputado estadual por São Paulo
Mauricio do Vôlei, deputado federal por Minas Gerais
Capitão Martim, deputado estadual pelo Rio Grande do Sul
Ivson de Castro, vereador por Sete Lagoas (MG)
Samuel Caires, vereador por Janaúba (MG)
Matheus Braga, vereador por Ipatinga (MG)
Ugleno Alves, vereador por Teófilo Otoni (MG)
Pedro Luiz, vereador por Contagem (MG)
Thomaz Henrique, vereador por São José dos Campos (SP)