Quando a gente pensa em remédio, geralmente pensa em algo que vai ajudar, né? Mas com a galera mais velha, tipo quem já passou dos 60, a coisa é um pouco mais complicada. Os chamados Medicamentos Potencialmente Inapropriados (MPIs) podem ser um problema sério. Esses remédios são aqueles que, pra quem já tá mais vulnerável, trazem risco maior de efeitos adversos, podendo até complicar a saúde em vez de ajudar.
O que acontece é que, conforme envelhecemos, nosso corpo muda e começa a lidar de forma diferente com os remédios. Isso se chama “metabolismo”, e, com a idade, ele fica mais lento. Juntando isso ao fato de que idosos normalmente tomam uma porção de remédios por causa das comorbidades (ou seja, doenças que vêm com a idade), o risco de interação entre os medicamentos é alto. Um estudo recente do Hospital Sírio-Libanês, por exemplo, mostrou que mais de 70% dos idosos internados estavam tomando pelo menos um MPI.
Agora, apesar desses medicamentos serem considerados “potencialmente inapropriados”, não é uma regra que eles não possam ser usados. Cada caso é um caso. Tem remédio que pode até ser necessário pra melhorar a qualidade de vida do paciente. E é aí que entra o trabalho do geriatra, que vai avaliar os prós e contras de cada medicamento.
Recentemente, a American Geriatrics Society revisou a lista dos MPIs pra orientar médicos sobre esses riscos. Mas isso não significa que é uma receita fixa. Como o geriatra Frederico Ludwig comenta, cada medicamento tem seus benefícios e seus efeitos negativos, e o segredo é encontrar o equilíbrio.
Um exemplo curioso é o que chamam de “prescrição em cascata”. Funciona assim: um remédio causa um efeito colateral, então é prescrito um segundo pra amenizar esse efeito, e aí começa a virar uma bola de neve. E isso precisa ser monitorado, senão o que era pra ajudar acaba trazendo ainda mais problemas.
Entre os medicamentos que os médicos analisam com mais cuidado nos idosos estão os benzodiazepínicos, como o famoso Rivotril. Muita gente usa pra dormir melhor ou pra ansiedade, mas, em idosos, esse tipo de remédio pode causar confusão mental, queda, dependência… É um perigo! As Drogas Z, que surgiram pra substituir os benzodiazepínicos, também não saíram muito melhor na foto, pois trazem quase os mesmos riscos.
Os anti-histamínicos de primeira geração (usados pra alergia) também são complicados. Eles deixam o idoso mais sonolento e confuso, o que pode levar a quedas. Mesmo assim, são comuns no sistema público, então acabam sendo mais usados por conta da praticidade e do custo.
Outro grupo importante é o dos antidepressivos tricíclicos, que podem afetar a memória. É comum o idoso começar a tomar esses remédios e, de repente, ver que tá esquecendo as coisas, e isso pode ser um efeito da própria medicação.
Os remédios pra diabetes, como a sulfonilureia, também entram na lista dos mais arriscados, pois podem causar hipoglicemia (queda de açúcar no sangue), que aumenta as chances de queda e confusão.
Tem também os inibidores de bomba de prótons, tipo o omeprazol, que a gente vê por aí como se fosse inofensivo. Eles são ótimos pra reduzir a acidez do estômago, mas se usados por muito tempo podem abrir as portas pra uma infecção bacteriana no estômago e até causar pneumonia em alguns casos.
E claro, não podemos esquecer dos anti-inflamatórios como o ibuprofeno, que é quase um “queridinho” quando bate uma dorzinha. Eles são ótimos pra dor, mas em idosos podem causar sérios problemas no estômago e nos rins.
Por fim, a aspirina – ou AAS – é outra que gera debate. Pra muita gente que teve AVC ou tem problemas nas artérias, ela pode ser uma aliada, mas também aumenta o risco de sangramento. Por isso, médicos recomendam avaliar bem a necessidade de cada paciente.
Então, no fim das contas, é aquele velho papo: todo remédio tem seu lado bom e seu lado ruim, e na terceira idade isso pesa mais.