Ministros do Supremo Tribunal Federal reagiram nos bastidores depois que veio à tona a informação de que o senador Flávio Bolsonaro teria pedido apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para ajudar na produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A história acabou movimentando Brasília nos últimos dias e já virou assunto tanto no meio político quanto jurídico.
Segundo ministros ouvidos reservadamente, a situação ainda não aponta, pelo menos de forma clara, para um crime imediato. Mesmo assim, integrantes da Corte avaliam que o caso pode trazer desgaste político importante para Flávio, principalmente porque o senador já é tratado por aliados como um possível nome da direita para disputar a Presidência em 2026.
Nos corredores do STF, a leitura inicial é de que um pedido de patrocínio para um filme, sozinho, não necessariamente configura irregularidade. Um ministro que tem boa relação com lideranças políticas teria comentado que, se a negociação realmente envolvia participação nos lucros da bilheteria do longa, isso poderia ser interpretado apenas como um investimento privado comum. Ainda assim, o magistrado avaliou que a repercussão pública deve causar um “estrago político” considerável.
E sinceramente, em Brasília essas coisas costumam pesar mais no campo da imagem do que no jurídico, pelo menos num primeiro momento. Ainda mais em tempos onde qualquer áudio vazado ganha proporções gigantescas em redes sociais, grupos de WhatsApp e programas de televisão.
O caso ganhou força após reportagem publicada pelo The Intercept Brasil, que divulgou áudios e mensagens envolvendo Flávio e Vorcaro. Nas conversas, o senador cobraria o banqueiro pelo repasse prometido ao projeto cinematográfico chamado “Dark Horse”, produção que contaria a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Uma das mensagens, segundo a publicação, foi enviada em novembro de 2025, justamente pouco antes de Daniel Vorcaro enfrentar problemas envolvendo o Banco Master. Esse detalhe chamou atenção porque o banqueiro acabou preso dias depois, em meio às investigações que atingiram a instituição financeira.
Ainda de acordo com a reportagem, o contrato total de patrocínio poderia chegar na casa dos R$ 134 milhões. Porém, apenas parte desse valor teria sido efetivamente transferida entre fevereiro e maio de 2025. Foram seis operações financeiras, que somariam cerca de R$ 61 milhões.
Só que aí começou uma nova confusão.
A produtora responsável pelo longa, a Go Up Entertainment, afirmou em nota que nunca recebeu dinheiro vindo diretamente de Vorcaro. Segundo a empresa, “nenhum centavo” teria entrado na produção por meio do banqueiro.


A declaração acabou aumentando ainda mais as dúvidas dentro do STF. Isso porque alguns ministros passaram a defender que o caso precisa ser investigado com mais profundidade. Na visão dessa ala do tribunal, é necessário entender se o dinheiro realmente tinha como destino o filme ou se poderia ter sido usado em outra finalidade.


Além disso, magistrados também querem esclarecer se houve algum tipo de contrapartida política. Ou seja: existe interesse em descobrir se Flávio teria atuado em favor de Vorcaro em troca do suposto patrocínio. Até agora, porém, nada foi comprovado.


O deputado Mário Frias, que aparece como produtor executivo do filme, saiu em defesa do senador. Segundo ele, Flávio Bolsonaro nunca foi sócio do projeto e sua participação se limitou à autorização do uso da imagem da família Bolsonaro. Frias ainda declarou que o sobrenome Bolsonaro ajudaria naturalmente a atrair investidores interessados no projeto.
Já Flávio confirmou que pediu recursos ao banqueiro, mas negou qualquer irregularidade. Em nota divulgada à imprensa, o senador disse que apenas buscava patrocínio privado para um filme privado sobre a história do pai. Ele também afirmou que conheceu Vorcaro antes das investigações envolvendo o Banco Master e que retomou contato depois por causa de atrasos nos pagamentos combinados.
Enquanto isso, em Brasília, o assunto segue crescendo. Nos bastidores políticos o clima é de cautela, porque dependendo dos próximos vazamentos ou descobertas, a situação pode ganhar um tamanho ainda maior nas próximas semanas.