Depois de tanto tempo desfilando com vestidos caros, champanhe francês na taça e o nariz sempre apontado pra cima, Maria de Fátima (Bella Campos) finalmente vai levar o tombo que muita gente tava esperando em Vale Tudo. A personagem, que não teve dó nem piedade de ninguém pra subir na vida, vai provar do próprio veneno. A verdade vem à tona, e ela, que se achava intocável, vai parar num cenário bem diferente dos salões da elite: grávida, sem um tostão furado e lavando calcinhas na pia do apart-hotel.
O estopim da derrocada é quando Afonso (Humberto Carrão) descobre que o filho que ela carrega nem é dele. Imagina o baque. E pra piorar, até o César (Cauã Reymond), que era o outro possível pai da criança, já vai ter sumido do mapa. Sem ter pra onde correr, ela faz aquilo que evitou a novela inteira: bate na porta da mãe, Raquel (Taís Araújo), numa tentativa quase desesperada de conseguir um mínimo de apoio.
“Mãezinha, eu sei que eu errei… Mas… Eu sou sua filha, poxa”, diz ela, com a cara lavada — ou talvez só molhada de lágrimas mesmo. Mas Raquel, cansada dos golpes e mentiras da filha, já não se deixa enganar fácil: “Você se lembrou disso agora? Porque quando você me deixou sem casa, quando me negou na rua… Você não se lembrou que era minha filha.”
E aí, meu amigo, começa o declínio. A novela mostra Fátima completamente desfigurada daquela imagem glamourosa. Agora, ela tá lavando roupa íntima na pia, espalhando calcinha e sutiã molhado pelo quarto, e nem se preocupa com a bagunça. Quando Olavo (Ricardo Teodoro) aparece e se assusta com o caos, ela responde com aquele veneno de sempre: “Quer que eu faça o quê? Não tenho mais dinheiro pra ficar usando a lavanderia aqui do apart, não.”
É como se o roteiro tivesse dado um reset na personagem — tirou tudo que ela conquistou (a base de muita trapaça, diga-se de passagem) e jogou ela na realidade nua e crua. Aliás, vale dizer que esse tipo de virada dramática vem sendo cada vez mais comum em novelas recentes. Em tempos de cancelamentos nas redes e julgamentos em tempo real, o público quer ver justiça poética sendo feita — mesmo que seja só na ficção.
Mas o mais curioso (e talvez mais assustador) é que, mesmo no fundo do poço, Maria de Fátima não se rende. Na frente do espelho, com olhar firme e aquele ar de quem ainda acredita ser a última bolacha do pacote, ela fala pra si mesma com uma convicção que beira a loucura: “Você vai reinar, porque você é rainha. Você vai se vingar… Eu te juro que você vai se vingar de todo mundo.”
Esse momento é forte e ao mesmo tempo um tanto irônico. A gente vê a personagem no chão, literalmente, mas ainda alimentando uma autoestima que não quebra nem na lavagem da calcinha. A promessa de vingança pode parecer clichê, mas casa bem com o estilo da novela, que mistura o exagero do dramalhão com uma pitada quase cômica de realidade distorcida.
E assim segue Vale Tudo, com sua dose diária de reviravolta, personagens intensos e aquele gostinho de “tudo pode mudar de uma hora pra outra”. Se Maria de Fátima vai realmente conseguir se vingar ou vai afundar de vez, só o próximo capítulo vai dizer. Mas que ela ainda tem lenha pra queimar, ah, isso tem.