Em 2026, a mpox voltou a aparecer nos relatórios de saúde pública do Brasil. Os números mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que o país já contabiliza 136 ocorrências da doença neste ano. Desse total, 129 foram confirmadas oficialmente e outras sete ainda são consideradas prováveis, ou seja, estão em fase final de verificação pelos laboratórios e equipes médicas.
Na última semana epidemiológica, inclusive, cinco estados registraram pela primeira vez algum caso da infecção ao longo de 2026. Esse aumento chamou atenção de profissionais da saúde e também de quem acompanha os boletins epidemiológicos. Mesmo assim, quando se olha o cenário geral, a situação ainda está mais controlada do que no mesmo período de 2025.
Outro dado importante: cerca de 570 notificações suspeitas continuam em análise. Isso significa que essas pessoas apresentaram sintomas parecidos com a mpox, mas os exames laboratoriais ainda estão sendo avaliados ou aguardando confirmação. Esse processo pode demorar alguns dias ou até semanas, dependendo da estrutura de cada estado.
Entre todas as unidades da federação, São Paulo continua sendo o estado com mais registros. Não chega a ser surpresa, já que é o mais populoso do país e costuma concentrar grande parte das notificações de várias doenças. Até agora foram confirmados 86 casos por lá, o que representa mais da metade de todas as ocorrências registradas em 2026.
Logo depois aparece o Rio de Janeiro, com 19 casos confirmados. Em seguida vem Rondônia, que soma 10 registros. Minas Gerais também aparece na lista com sete casos até o momento. Outros estados como Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e o Distrito Federal possuem números menores, mas ainda assim estão sendo monitorados pelas autoridades sanitárias.
No boletim mais recente divulgado pelos técnicos do governo, cinco novos estados passaram a entrar no mapa da doença neste ano. O Rio Grande do Norte lidera entre eles, com três casos confirmados. Já Ceará, Goiás, Pará e Sergipe notificaram um caso cada. Esses registros mostram que o vírus continua circulando, ainda que de forma menos intensa.
Em relação às internações, o quadro geral não tem sido considerado grave na maioria das situações. Entre todos os casos confirmados, 11 pessoas precisaram ser hospitalizadas até agora. Mesmo assim, especialistas afirmam que a maior parte das infecções evolui com sintomas leves ou moderados, especialmente quando o diagnóstico acontece cedo.
O perfil das pessoas infectadas também segue um padrão parecido com o observado nos últimos anos. A maioria dos pacientes são homens brancos, com idade média de aproximadamente 33 anos. Claro que isso não significa que outros grupos não possam ser infectados, mas os dados epidemiológicos acabam revelando tendências.
Outro ponto que chamou atenção dos médicos foi a presença de coinfecção em parte dos pacientes. Em 29 casos registrados, as pessoas também apresentavam outras infecções sexualmente transmissíveis ao mesmo tempo. Esse tipo de situação acaba exigindo um acompanhamento médico mais cuidadoso.
Apesar da preocupação natural quando surgem novos casos, o cenário atual ainda é menos intenso do que o observado no começo de 2025. Naquele período, entre janeiro e março, o Brasil chegou perto de registrar 400 ocorrências da doença. Ou seja, o ritmo atual é consideravelmente menor.
Mesmo assim, as autoridades continuam monitorando tudo de perto. Esse cuidado aumentou ainda mais depois que pesquisadores identificaram uma nova variante do vírus no Reino Unido, notícia divulgada em dezembro passado. Segundo especialistas britânicos, essa versão mistura características de dois subtipos já conhecidos.
Um deles, chamado clado 1, costuma estar ligado a quadros mais graves da doença. O outro, o clado 2, foi o principal responsável pelo surto global que aconteceu em 2022 e que colocou a mpox no noticiário do mundo inteiro por vários meses.
A transmissão da mpox acontece principalmente por contato direto com uma pessoa infectada. Isso inclui contato com lesões na pele, fluidos corporais ou até objetos contaminados, como roupas ou toalhas. O vírus também pode ser transmitido por alguns animais infectados, embora isso seja menos comum em áreas urbanas.
Desde o surto mundial, pesquisadores também observaram que relações sexuais tiveram um papel relevante na disseminação recente da doença. Esse padrão continuou aparecendo em diferentes países e, segundo especialistas em saúde pública, também tem sido observado em infecções associadas ao clado 1 do vírus.
