União Europeia veta carne brasileira e governo Lula admite surpresa

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu se manifestar nesta terça-feira (12/5) depois da decisão tomada pela União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano no bloco europeu. A notícia caiu como uma bomba em Brasília e movimentou rapidamente os bastidores do agronegócio brasileiro, que já vinha acompanhando rumores sobre possíveis restrições sanitárias nas últimas semanas.

Em uma nota divulgada em conjunto pelos ministérios da Agricultura, Desenvolvimento, Indústria e também das Relações Exteriores, o governo afirmou ter recebido a decisão com “surpresa”. Nos corredores políticos, porém, muita gente já comentava que a tensão entre o Mercosul e os europeus vinha aumentando desde o começo do ano, principalmente por causa das regras ambientais e sanitárias impostas pelo bloco europeu.

Segundo o comunicado oficial, o Brasil pretende agir rapidamente para tentar reverter a situação. O objetivo seria retornar o mais rápido possível à lista de países autorizados e evitar impactos maiores nas exportações. Vale lembrar que o mercado europeu compra produtos brasileiros de origem animal há quase quatro décadas, movimentando bilhões de reais e sustentando milhares de empregos diretos e indiretos no país.

O governo também informou que o chefe da delegação brasileira junto à União Europeia já marcou uma reunião para esta quarta-feira (13/5) com autoridades sanitárias europeias. A expectativa é que o encontro sirva pra entender melhor os motivos da decisão e abrir espaço para uma possível negociação diplomática. Pessoas ligadas ao setor agropecuário acreditam que ainda existe chance de acordo, embora o clima seja de preocupação.

Na nota, o governo fez questão de destacar que o Brasil possui um dos sistemas sanitários mais robustos do mundo, com reconhecimento internacional. O texto ainda reforça que o país ocupa atualmente a posição de maior exportador global de proteínas animais e um dos principais fornecedores agrícolas da Europa. Mesmo assim, a medida adotada pela União Europeia pegou muitos produtores de surpresa, especialmente em estados fortemente dependentes do agro.

Apesar da repercussão negativa, o governo garantiu que, pelo menos por enquanto, as exportações seguem acontecendo normalmente. Ou seja, nada muda de forma imediata. O veto europeu só começa a valer oficialmente a partir do dia 3 de setembro, o que dá alguns meses para negociações e possíveis ajustes técnicos.

De acordo com a decisão europeia, animais vivos e produtos utilizados na produção de alimentos não poderão mais ser enviados do Brasil para os países do bloco. Hoje, o Brasil acabou ficando isolado dentro do Mercosul, já que Argentina, Paraguai e Uruguai seguem incluídos na lista provisória aprovada pela Comissão Europeia.

Essa lista temporária de países autorizados existe desde 2024 e envolve na prática uma série de exigências sanitárias consideradas rígidas pelos europeus. A atualização mais recente foi aprovada nesta terça-feira durante uma reunião do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia. O nome é complicado, mas é justamente esse grupo que define boa parte das regras sanitárias aplicadas no continente.

As restrições fazem parte da política europeia de combate à resistência bacteriana e da tentativa de reduzir o uso excessivo de antibióticos na pecuária mundial. Esse tema vem ganhando força desde a pandemia, quando vários países passaram a endurecer regras ligadas à saúde pública e segurança alimentar. Nos últimos meses, produtores brasileiros já reclamavam que a União Europeia estaria usando normas sanitárias como uma espécie de barreira comercial disfarçada.

Outro detalhe que chama atenção é que toda essa crise acontece justamente poucos dias depois da entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, iniciada em 1º de maio. O tratado ainda depende de decisões judiciais e enfrenta resistência de alguns setores europeus, principalmente agricultores da França e da Bélgica, que alegam concorrência desleal com produtos sul-americanos.

Agora, o governo brasileiro tenta correr contra o tempo pra evitar prejuízos maiores ao agronegócio e impedir um desgaste ainda maior nas relações comerciais com a Europa. Nos bastidores, a avaliação é que os próximos dias devem ser decisivos.



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