Trump usa Bolsonaro para justificar nova ação contra o Brasil

O governo dos Estados Unidos voltou a colocar o Brasil no centro de uma nova decisão assinada pelo presidente Donald Trump. Mesmo sem mencionar diretamente o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o documento deixa claro que a situação envolvendo o ex-chefe do Executivo brasileiro continua sendo um dos principais argumentos usados pela Casa Branca para manter o estado de emergência nacional relacionado ao Brasil por mais um ano.

A ordem foi assinada nesta terça-feira (28) e será publicada oficialmente na quarta-feira (29) no Federal Register, que funciona como o Diário Oficial dos Estados Unidos. Depois disso, o texto também será enviado ao Congresso americano, seguindo o procedimento previsto na legislação do país. Apesar da repercussão, a medida não cria novas tarifas comerciais nem amplia as sanções já existentes contra o Brasil.

No documento, o governo Trump afirma que integrantes do governo brasileiro estariam promovendo uma perseguição política contra um ex-presidente, seus familiares e também aliados próximos. Embora Bolsonaro não seja citado pelo nome em todos os trechos, o contexto deixa pouca margem para outra interpretação. A Casa Branca usa esse argumento para justificar a renovação da emergência nacional.

Segundo o texto divulgado pelos norte-americanos, essa suposta perseguição estaria enfraquecendo o Estado de Direito no Brasil. Além disso, o governo dos EUA afirma que haveria intimidação por motivação política e até violações de direitos humanos. Essas acusações já haviam aparecido em manifestações anteriores do governo Trump e agora voltam a ganhar destaque.

Outro ponto que chama atenção é que o documento faz novas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte brasileira é acusada pela Casa Branca de promover censura e prender pessoas que estariam apenas exercendo a liberdade de expressão. Esse discurso vem sendo repetido por integrantes do governo americano desde o ano passado e aparece novamente na justificativa apresentada.

A renovação do estado de emergência mantém em vigor uma medida que havia sido decretada inicialmente em julho de 2025. Na época, Donald Trump afirmou que determinadas ações adotadas pelo governo brasileiro representavam uma ameaça considerada “incomum e extraordinária” para a segurança nacional, a política externa e até mesmo a economia dos Estados Unidos.

Pelas leis americanas, esse tipo de decreto não permanece válido automaticamente. Todos os anos ele precisa passar por uma revisão. Caso o presidente considere que os motivos continuam existindo, pode renovar a medida por meio de uma comunicação formal enviada ao Congresso. Foi exatamente esse procedimento adotado agora.

Nos últimos meses, as relações entre Brasil e Estados Unidos ficaram ainda mais delicadas. Recentemente, parte das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano passou a sofrer uma tarifa de 37,5%, resultado de duas investigações conduzidas pelas autoridades dos Estados Unidos. Mesmo assim, a nova ordem assinada por Trump não estabelece novas cobranças ou restrições comerciais adicionais.

Enquanto isso, Jair Bolsonaro segue cumprindo prisão domiciliar depois de ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão. A condenação está ligada à participação do ex-presidente na chamada trama golpista envolvendo os atos contra o resultado das eleições presidenciais de 2022. O processo continua sendo um dos assuntos de maior repercussão política tanto dentro quanto fora do Brasil.

Desde o ano passado, Donald Trump tem feito diversas declarações públicas em defesa de Bolsonaro. Em diferentes ocasiões, o presidente americano afirmou acreditar que o ex-presidente brasileiro estaria sendo alvo de perseguição política. Quando assinou o primeiro decreto de emergência, em julho de 2025, essa justificativa já aparecia de forma clara. Agora, com a renovação da medida, a Casa Branca reforça novamente esse entendimento e mantém o mesmo discurso adotado anteriormente.

A decisão deve provocar novas reações tanto em Brasília quanto no cenário internacional. Mesmo sem trazer sanções inéditas, a prorrogação do estado de emergência mostra que a relação entre os dois países continua atravessando um momento de forte tensão política e diplomática, com reflexos que podem continuar sendo debatidos nos próximos meses.



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