Tragédia: Brigadistas mortos em incêndio morreram tentando salvar as pessoas, aponta Bombeiros

O incêndio que atingiu o Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro, deixou uma marca pesada na noite desta sexta-feira e madrugada de sábado. Segundo o Corpo de Bombeiros, ao todo, sessenta homens de sete quartéis diferentes foram mobilizados para conter as chamas. O saldo foi trágico: dois brigadistas morreram e pelo menos três pessoas ficaram feridas. Mesmo horas depois do início do fogo, muita fumaça ainda permanecia presa no subsolo, o que impediu a liberação total do local e atrasou o trabalho da perícia.

Em entrevista concedida durante a madrugada, o coronel Luciano Sarmento, subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros, confirmou que os dois mortos eram brigadistas e foram encontrados dentro de uma loja localizada no subsolo do shopping, exatamente onde o incêndio teve início. De acordo com ele, tudo indica que os dois perderam a vida tentando ajudar no combate às chamas e também na evacuação das pessoas que ainda estavam no local.

— Uma das vítimas estava bem próxima ao foco original, no mezanino da loja onde o fogo começou. A segunda foi encontrada no térreo. Provavelmente desceu tentando escapar, mas não conseguiu — explicou o coronel. Ele destacou ainda que o incêndio se concentrou em uma loja que armazenava materiais de fácil combustão, como itens de decoração e colchões, o que agravou muito a situação.

Segundo Sarmento, a grande quantidade de fumaça dificultou bastante o trabalho das equipes. A exaustão do local foi extremamente complexa. “Nossos bombeiros tiveram um trabalho hercúleo, com muita técnica, para evitar que o fogo se espalhasse para outras áreas do shopping. Se isso acontecesse, poderíamos estar falando de uma tragédia ainda maior”, afirmou. Em outro momento, resumiu a situação de forma direta: fogo intenso, visibilidade zero e risco constante.

Durante o atendimento às vítimas, por volta das 20h50, um homem e uma mulher foram socorridos e levados para a UPA da Tijuca. Um terceiro homem foi encaminhado ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio. Cerca de cinquenta minutos depois, uma quarta vítima foi retirada do shopping em uma maca. As imagens mostram o homem desacordado, usando uma máscara ligada a um balão de oxigênio. Apesar do esforço das equipes, ele chegou ao hospital já sem vida.

O resgate dessa vítima chamou atenção de quem acompanhava a movimentação do lado de fora. O homem foi retirado às pressas, empurrado por bombeiros e brigadistas, usando calça e sapato social, além de uma blusa de tecido leve. A ambulância saiu com as portas fechadas e, mais tarde, veio a confirmação da morte.

Testemunhas relataram que a fumaça se concentrou principalmente no subsolo, onde fica a loja de decoração atingida. Yasmin Youseff estava no shopping com uma amiga e contou que, por volta das 18h, viu um segurança entrar na loja com uma mangueira. Naquele momento, ninguém imaginava a gravidade.

— A gente estava na fila do caixa quando uma funcionária disse que precisava fechar porque tinha um princípio de incêndio. Parecia algo pequeno, então seguimos andando pelo shopping. Só depois de quase uma hora percebemos uma movimentação maior e boatos de que o fogo continuava — relatou.

A amiga de Yasmin, que tinha deixado o filho adolescente no cinema, se assustou quando viu a fumaça já se espalhando até o segundo andar. Ela correu para buscar o garoto, ficando mais exposta à fumaça nesse trajeto.

— Vimos lojas fechando às pressas e pessoas andando rápido, mas sem pânico. Os seguranças orientaram a saída e isso ajudou bastante — relembrou.

Apesar disso, Yasmin afirma que não ouviu alarmes e achou estranha a demora para a evacuação completa. Segundo ela, houve um intervalo de quase uma hora entre o primeiro aviso e a retirada total das pessoas.

O músico Gabriel Medeiros também estava no local e teve uma experiência parecida. Ele contou que estava em um restaurante quando o gerente avisou sobre o incêndio em uma das lojas. Pagaram a conta e subiram para outro andar, mas ao perceberem a fumaça se espalhando, decidiram sair. “Foi aí que caiu a ficha de que não era algo simples”, disse.

O caso reacende discussões sobre segurança, protocolos de emergência e resposta rápida em grandes centros comerciais, um tema que, infelizmente, volta e meia retorna ao noticiário brasileiro.



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