‘Todos os profissionais serão demitidos’, diz secretário após morte em UPA no Rio

O secretário Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz (PSD), anunciou no último sábado (14) a demissão de todos os profissionais que estavam de plantão na UPA Cidade de Deus na noite de sexta-feira (13), quando um homem morreu sem receber atendimento médico adequado. A decisão foi comunicada através das redes sociais, gerando um grande debate público sobre a gestão e os problemas no sistema de saúde.

“Todos os profissionais que estavam no plantão da UPA da Cidade de Deus, na noite de ontem, serão demitidos, responderão sindicância e serão denunciados nos seus respectivos conselhos de classe. É inadmissível não perceberem a gravidade do caso”, escreveu Soranz em seu perfil no X (antigo Twitter).

A declaração foi feita poucas horas após a repercussão do caso, que revoltou a população e levantou críticas sobre a atuação da equipe médica.

A fatalidade na UPA

A vítima, identificada como José Augusto Mota Silva, de 32 anos, chegou à UPA reclamando de fortes dores pelo corpo. Testemunhas relataram que, mesmo demonstrando visíveis sinais de sofrimento, José Augusto não recebeu atendimento imediato. Ele faleceu ainda sentado no guichê de recepção, um desfecho que provocou uma onda de indignação entre os outros pacientes que aguardavam no local.

Imagens do ocorrido começaram a circular nas redes sociais, mostrando a gravidade da situação. Nos vídeos, é possível ouvir pessoas revoltadas com o descaso e cobrando respostas da equipe médica. “O homem chegou aqui gritando de dor e morreu sem ninguém ajudar”, lamentou uma mulher que estava presente no momento.

Resposta da Secretaria de Saúde

Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que uma sindicância foi aberta para apurar os detalhes do ocorrido e as possíveis falhas no atendimento. Segundo a secretaria, os funcionários envolvidos alegaram que “tudo aconteceu muito rápido” e que não houve tempo para uma intervenção eficaz.

Ainda assim, a SMS deixou claro que considera o ocorrido inaceitável e que medidas enérgicas, como a demissão coletiva, eram necessárias para garantir a responsabilização e evitar novos casos semelhantes. A direção da UPA afirmou “lamentar profundamente o ocorrido” e garantiu que irá cooperar com as investigações.

Repercussão e debate público

O anúncio das demissões provocou reações divididas. De um lado, muitas pessoas elogiaram a postura rápida e firme do secretário Daniel Soranz, afirmando que a situação exigia medidas drásticas. Do outro, algumas vozes questionaram se a decisão não foi precipitada, apontando que a responsabilidade pode envolver também problemas estruturais, como a falta de recursos e a sobrecarga enfrentada por profissionais da saúde.

Nas redes sociais, o caso ganhou ampla repercussão. “Isso é um reflexo de um sistema de saúde que não funciona. Quem paga é sempre o paciente mais vulnerável”, escreveu um usuário. Outros destacaram o heroísmo cotidiano dos profissionais, mas reforçaram que erros graves como esse precisam ser punidos.

Problemas recorrentes na saúde pública

Casos de mortes em unidades de pronto atendimento por falta de atendimento adequado não são isolados no Brasil. A sobrecarga do sistema, a falta de profissionais e de infraestrutura, além das longas filas, tornam situações trágicas como a de José Augusto uma realidade frequente. Especialistas em saúde pública defendem que, além de punir responsáveis diretos, é preciso investigar as raízes desse problema sistêmico.

“Se a equipe falhou, deve ser responsabilizada. Mas precisamos entender por que unidades como a UPA Cidade de Deus chegam a esse ponto. Falta gestão? Recursos? Treinamento? É um problema que vai além de demissões”, comentou um médico em entrevista à imprensa.

A dor da família e a busca por justiça

Familiares e amigos de José Augusto, que ainda tentam processar o luto, exigem justiça e transparência nas investigações. A perda de um homem tão jovem, que buscava ajuda e morreu sem ao menos ser atendido, representa mais do que uma fatalidade: é um retrato cruel das falhas do sistema.

Enquanto as investigações seguem, a população segue questionando: até quando tragédias como essa continuarão acontecendo? A resposta, infelizmente, parece distante.



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