Teoria do clone? Pesquisa mostra quantos eleitores acreditam que Lula não é o verdadeiro

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Meio/Ideia revelou um dado curioso sobre a percepção de parte dos brasileiros em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o levantamento, 12,5% dos eleitores, o equivalente a uma em cada oito pessoas entrevistadas, acreditam que o atual presidente teria sido substituído por um clone ou por um sósia. A teoria circula há alguns anos nas redes sociais e costuma ganhar força por meio de vídeos, memes e publicações que apontam supostas diferenças na aparência e no comportamento de Lula.

Apesar da repercussão desse tipo de conteúdo na internet, a maior parte dos entrevistados rejeitou a teoria. Ao todo, 59% disseram acreditar que a história é falsa. Outros 28,5% afirmaram não saber responder ou preferiram não opinar sobre o assunto.

A pesquisa também mostrou diferenças entre grupos de eleitores. Entre aqueles que declararam apoio a Flávio Bolsonaro, cerca de um em cada cinco acredita que o homem que ocupa atualmente a Presidência da República não seria o verdadeiro Lula. O resultado chama atenção por mostrar como conteúdos publicados nas redes sociais podem influenciar parte da opinião pública.

Desde as eleições de 2022, diferentes boatos sobre esse tema já foram analisados por agências de checagem de fatos. Em vários momentos, vídeos e publicações afirmaram que Lula teria sido substituído por uma pessoa muito parecida com ele ou até mesmo por um suposto clone. No entanto, as verificações realizadas apontaram que essas alegações não apresentavam provas e eram baseadas em imagens manipuladas, interpretações equivocadas ou montagens.

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República também comentou o assunto. Em nota, o órgão condenou a divulgação dos boatos e afirmou que esse tipo de conteúdo tem finalidade política, buscando desinformar a população, enfraquecer instituições e influenciar a opinião pública com informações falsas.

O próprio presidente chegou a brincar com a situação durante um evento realizado no ano passado. Em tom de ironia, Lula disse que já seria o “quinto Lula”, fazendo referência às teorias que circulam frequentemente na internet.

Essa não foi a primeira vez que rumores desse tipo ganharam destaque. Em fevereiro deste ano, por exemplo, uma publicação dizia que um sósia do presidente teria participado do Carnaval de Salvador. A postagem alegava que ele aparecia com cinco dedos na mão esquerda, diferentemente de Lula, que perdeu um dedo em um acidente de trabalho quando era metalúrgico. Posteriormente, foi constatado que a imagem havia sido alterada digitalmente.

Em outra ocasião, fotos recentes do presidente foram comparadas com imagens antigas para sustentar a ideia de que seu rosto havia mudado drasticamente em poucos dias. As verificações mostraram que as fotografias eram de períodos diferentes e tinham resoluções distintas, fator que altera detalhes visuais e pode causar falsas impressões.

Também circularam, nos últimos anos, rumores afirmando que o presidente teria morrido durante uma cirurgia realizada após sua eleição em 2022 e que um sósia estaria participando dos compromissos oficiais. Outra versão da teoria chegou a afirmar, sem qualquer evidência, que Nicolás Maduro teria confessado a morte de Lula. Em todos esses casos, as informações foram desmentidas por verificações independentes.

Mais recentemente, o ex-deputado federal Cabo Daciolo voltou a comentar o assunto. Ele afirmou não acreditar que o presidente visto atualmente em eventos públicos seja o verdadeiro Lula. Como justificativa, disse considerar incompatível a disposição física do presidente, hoje com 80 anos, com a idade que possui. A declaração repercutiu nas redes sociais, mas não foi acompanhada de qualquer prova que sustentasse a afirmação.

O levantamento do Instituto Meio/Ideia foi encomendado pelo Canal Meio e ouviu 1.500 pessoas em todas as regiões do Brasil por meio de entrevistas telefônicas realizadas entre os dias 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04579/2026.



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