StoneX mantém projeção para soja do Paraguai, apesar de alerta climático

Desafios Climáticos e Comerciais na Safra de Grãos 2026/27 do Paraguai

A safra de grãos 2026/27 no Paraguai está enfrentando um montante de desafios que chamam a atenção de todos os envolvidos na agricultura. As condições climáticas têm sido o foco principal de preocupação para os produtores. Com a chegada de chuvas excessivas, temperaturas que estão abaixo da média e uma baixa incidência de sol, a situação se torna alarmante. Recentemente, uma tempestade de granizo atingiu mais de 5 mil hectares na região do Alto Paraná, uma área vital para a agricultura do país.

Impacto da Tempestade de Granizo

Apesar de os 5 mil hectares afetados pelo granizo representarem uma fração pequena dos aproximadamente 830 mil hectares de soja cultivados na região, a importância do Alto Paraná não pode ser subestimada. Essa região é responsável por mais de 33% da produção de soja do Paraguai, o que torna o evento ainda mais preocupante. Segundo Larissa Arboza Alvarez, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o início do mês de novembro trouxe temperaturas atipicamente baixas, que, juntamente com a umidade alta, podem afetar o desenvolvimento das lavouras se essa tendência persistir.

Projeções de Produção

Em meio a essas incertezas, a StoneX decidiu manter suas estimativas de produção para soja e milho. Para a safra de 2026/27, a previsão é de que a produção total de soja chegue a 11,49 milhões de toneladas. Isso inclui 9,86 milhões de toneladas da safra principal e 1,28 milhão de toneladas da safrinha. A produção de milho está projetada em 5,73 milhões de toneladas. Embora os números não tenham sido revisados, a empresa enfatiza a necessidade de cautela e monitoramento constante das condições climáticas, pois o excesso de umidade e as temperaturas baixas podem impactar a produtividade das lavouras.

Comercialização em Ritmo Lento

Além dos desafios climáticos, o mercado paraguaio está sofrendo com uma comercialização lenta. De acordo com a StoneX, apenas cerca de 23% da soja foi negociada até agora, um percentual que se mantém praticamente inalterado em comparação com o levantamento anterior. No caso do milho, as vendas ainda não atingiram 80%. Essa movimentação mais fraca entre os compradores, somada à queda nos preços internacionais, tem pressionado os preços no mercado interno.

Queda de Preços e Gestão de Risco

  • Entre o final de outubro e o início de novembro, os preços da soja em Chicago caíram aproximadamente 45 pontos em apenas uma semana.
  • Isso representa uma redução entre US$ 10 e US$ 15 por tonelada, com uma desvalorização acumulada de cerca de US$ 40 por tonelada nas últimas quatro semanas.
  • Em Assunção, a diferença entre o preço praticado no mercado físico e o preço de referência internacional está em torno de US$ 45 negativos por tonelada.

Diante desse cenário desafiador, a StoneX destaca a importância da gestão de risco comercial. Aqueles produtores que aproveitaram os preços altos no início da temporada e realizaram fixações antecipadas conseguiram proteger-se parcialmente das oscilações recentes nos preços de mercado. Para aqueles que ainda não tomaram medidas de proteção, é crucial conhecer o preço de equilíbrio da produção e definir previamente níveis de preço que considerem adequados para a venda, evitando decisões impulsivas baseadas apenas nas oscilações diárias do mercado.

Uma Olhada no Futuro

A combinação de incertezas climáticas, um mercado de comercialização pouco dinâmico e a queda nos preços continuará a manter o olho dos especialistas e produtores voltados para o Paraguai nas próximas semanas. O desenvolvimento das lavouras e as decisões de venda dos produtores serão fundamentais para determinar o curso da safra de grãos 2026/27.

Por fim, é importante que todos os envolvidos na agricultura estejam preparados para se adaptar às condições que possam surgir, sempre buscando informações atualizadas e estratégias eficazes para mitigar riscos.



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