Silvia Abravanel, apresentadora e filha do icônico Silvio Santos, compartilhou em uma entrevista recente alguns momentos intensos de sua carreira no SBT, marcados pelos “puxões de orelha” do pai, tanto no papel de chefe quanto no de pai exigente. Hoje com 53 anos, Silvia revelou como as críticas de Silvio moldaram sua trajetória profissional, em um relato sincero e cheio de emoção ao podcast Festa da Firma.
“Eu nunca tomei patada do Silvio Santos pai, eu tomei do Senor Abravanel”, contou Silvia, referindo-se ao nome de batismo de Silvio Santos. “Era aquele tipo de conversa no pé do ouvido que parecia dor de ouvido inflamado, sabe? Já do Silvio Santos como chefe, foram milhares de patadas”, lembrou, misturando humor com a seriedade dos desafios que enfrentou ao longo dos anos.
Bastidores de tensão e mudanças constantes
Silvia destacou que muitas das broncas aconteciam durante os programas ao vivo ou gravados, especialmente nos tempos em que trabalhava ao lado de Celso Portiolli. “A gente fazia cinco horas de conteúdo gravado e quatro horas ao vivo. Era intenso, e ele [Silvio] sempre estava observando tudo.” Mesmo nos momentos em que Silvia achava que teria um descanso, as demandas continuavam. “Às vezes eu estava de folga, na praia, e ele ligava para dar bronca e sugerir mudanças”, revelou.
Com um estilo de liderança impetuoso, Silvio exigia alterações em tempo real, mesmo quando isso significava correrias nos bastidores. “Ele estava no Guarujá, dava delay na transmissão para ele, e ainda assim queria mudar tudo. Me xingava como se eu fosse culpada pelo atraso!”, disse, rindo, mas deixando claro o peso que essas situações tinham.
Pressão no limite
A rotina de Silvia e da equipe era marcada por ajustes incessantes. “Eu tinha 90 pessoas trabalhando comigo. Às vezes, ele me dava 30 segundos para encaixar um merchan ou trocar o cenário, porque era isso ou ouvir ele gritar”, contou. Segundo ela, os bastidores ficavam em completo alvoroço para atender às exigências do fundador do SBT. “Se não fizesse, ele xingava muito. Ele falava palavrões naquele nível hard, e eu me tremia inteira.”
Silvia também compartilhou que, por trás da firmeza e da imagem pública de profissional confiante, havia momentos de vulnerabilidade. “Ele dizia: ‘Eu não tenho filha burra!’, e eu acabava o programa chorando no camarim do Celso [Portiolli]. Ele me consolava: ‘Calma, Silvinha, ele é assim mesmo’.”
Entre críticas e elogios
Apesar das críticas e da pressão, havia momentos em que Silvio Santos demonstrava sua admiração pelo trabalho da filha. Silvia relembra como ele, logo após uma bronca pesada, ligava para parabenizá-la. “Ele dizia: ‘Ô, meu amor, parabéns!’ E eu ficava sem entender nada, devastada ainda da bronca de minutos atrás”, contou, revelando a complexidade de trabalhar sob as ordens do pai e chefe.
Legado e aprendizado
O relato de Silvia Abravanel não é apenas uma retrospectiva dos desafios de sua carreira no SBT, mas também um exemplo de resiliência e aprendizado em um ambiente de trabalho exigente. Ao refletir sobre as dificuldades, ela mostrou como transformou as críticas em oportunidades de crescimento. “Ele era assim porque queria o melhor. Hoje eu entendo isso, mas na época era muito difícil”, concluiu.
A história de Silvia oferece uma visão rara dos bastidores de uma das maiores emissoras do Brasil, mostrando que, mesmo nos palcos mais brilhantes, existem momentos de pressão, lágrimas e superação. Além disso, destaca a força das relações familiares, que, mesmo sob tensão, carregam admiração e amor.