Sérgio Moro não perdoa e debocha de desfile sobre Lula: “Faltou o sítio de Atibaia”

O clima do Carnaval do Rio de Janeiro, sempre carregado de brilho, música e emoção, ganhou também um tempero político neste último domingo (15/02). Logo depois que a escola de samba Acadêmicos de Niterói cruzou a Marquês de Sapucaí com um desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Sergio Moro resolveu entrar na avenida — mas pelas redes sociais.

O ex-juiz da Lava Jato, hoje senador pelo União Brasil, usou o X, antigo Twitter, para comentar o espetáculo. E não pegou leve. Em tom claramente provocativo, Moro fez referência direta às investigações que marcaram a trajetória recente de Lula. “Faltou o carro da Odebrecht e do Sítio de Atibaia no desfile do Lula”, escreveu ele, numa tentativa de ironizar a homenagem.

A menção não foi por acaso. Durante a operação Lava Jato — que teve como um dos rostos mais conhecidos justamente Sergio Moro — o sítio em Atibaia foi apontado como suposto pagamento de propina ao então ex-presidente. Lula chegou a ser preso em 2018, num dos episódios mais emblemáticos da política brasileira nas últimas décadas. Anos depois, porém, as condenações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu irregularidades no processo.

Mesmo assim, o assunto continua rendendo. E muito. Principalmente nas redes sociais, onde cada declaração vira munição para apoiadores e críticos. Moro sabe disso. Lula também.

Voltando ao desfile, a apresentação da Acadêmicos de Niterói trouxe alas exaltando a trajetória política do petista, desde a origem humilde até o retorno ao Palácio do Planalto. Para simpatizantes, foi um tributo legítimo a uma figura histórica do país. Para opositores, propaganda escancarada.

E foi exatamente nessa linha que Moro seguiu. Na mesma publicação, ele classificou o desfile como “um deprimente espetáculo de abuso de poder”. Segundo o senador, houve “enaltecimento de Lula, sem escândalos de corrupção, e com ataques aos adversários, tudo financiado pelo Governo”.

A acusação é pesada. E, claro, gerou reação imediata. Internautas dividiram opiniões. Uns concordaram com o senador, dizendo que o Carnaval não deveria misturar política com festa popular. Outros defenderam que a arte sempre dialogou com o momento histórico e que o samba-enredo tem, sim, espaço para manifestações políticas e sociais.

Não é a primeira vez que a Sapucaí vira palco de debates ideológicos. Nos últimos anos, diversas escolas trouxeram enredos com críticas sociais, pautas identitárias e referências a governos — sejam eles de direita ou esquerda. O Carnaval, que muitos insistem em tratar apenas como entretenimento, há muito tempo também é espaço de narrativa e disputa simbólica.

Confesso que, como observador, fico com a sensação de que a política brasileira está em campanha permanente. Seja em ano eleitoral ou não. Tudo vira palanque. Até desfile de escola de samba. Talvez isso diga mais sobre o momento que o país vive do que sobre o próprio Carnaval.

O fato é que, goste-se ou não, a homenagem aconteceu. E a reação também. Sergio Moro, que construiu sua imagem pública no combate à corrupção, não deixou passar a oportunidade de relembrar episódios que marcaram sua trajetória e a de Lula. Já o presidente, por sua vez, segue como figura central no debate nacional — amado por uns, rejeitado por outros.

No fim das contas, a avenida se apagou, os fogos cessaram e a bateria silenciou. Mas a discussão continua, firme e barulhenta, nas redes e nos bastidores de Brasília. Porque no Brasil, parece, o Carnaval pode até durar quatro dias. A polarização, não.



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