Saiba como será “depoimento especial” da filha da PM Gisele em julgamento

A investigação sobre a morte da policial militar Gisele Alves Santana entra em uma nova etapa nos próximos dias. Um dos momentos mais delicados do processo será o depoimento da filha da soldado, uma menina de apenas 7 anos, que deverá ser ouvida pela Justiça em uma audiência de instrução relacionada ao caso. O principal acusado é o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, apontado como réu no processo que apura o feminicídio da policial.

De acordo com o cronograma definido pela Justiça, o depoimento do militar está marcado para o dia 3 de julho, data que deve encerrar a fase de instrução do caso. Antes disso, porém, a filha de Gisele será ouvida por meio do chamado depoimento especial, procedimento utilizado quando crianças precisam prestar informações em processos judiciais.

Esse tipo de oitiva segue regras específicas estabelecidas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A criança não fica frente a frente com juiz, advogados ou demais envolvidos no processo. Em vez disso, ela permanece em um ambiente preparado especialmente para esse tipo de situação, acompanhada apenas por um psicólogo ou assistente social capacitado. É esse profissional quem conduz as perguntas de maneira adequada à idade da criança.

Enquanto isso, o magistrado, representantes do Ministério Público e advogados acompanham tudo em tempo real a partir da sala de audiência. O depoimento é gravado e mantido sob sigilo, justamente para preservar a intimidade e o bem-estar da menor, evitando uma exposição ainda maior em um momento tão sensível.

A participação da menina foi solicitada pelo Ministério Público de São Paulo e posteriormente autorizada pela Justiça. Na mesma data em que ela será ouvida, outros familiares da policial também deverão prestar depoimento. Entre eles estão a mãe, o pai e o irmão de Gisele. O ex-marido da soldado, que é pai da criança, também foi convocado para falar sobre o que sabe a respeito da convivência do casal.

As informações reunidas ao longo das investigações mostram que a menina convivia diretamente com Gisele e com Geraldo em um apartamento localizado no bairro do Brás, região central da capital paulista. Foi justamente nesse imóvel que a policial foi encontrada morta após sofrer um disparo na cabeça. No momento em que o tiro ocorreu, entretanto, a criança não estava no apartamento.

Relatos anexados ao processo indicam que a convivência dentro da residência era marcada por discussões frequentes. Segundo o pai da menina, ela costumava comentar sobre brigas intensas entre a mãe e o tenente-coronel. Essas situações, de acordo com o relato, teriam se tornado cada vez mais constantes nos meses anteriores à tragédia.

Um episódio chamou a atenção dos investigadores. Na véspera da morte de Gisele, em 17 de fevereiro, a criança foi buscada pelo pai. Conforme ele relatou, a menina entrou no veículo chorando e bastante abalada emocionalmente. Ainda segundo seu depoimento, ela teria dito que não queria retornar ao apartamento porque já não suportava mais presenciar tantas discussões entre o casal.

Além dos relatos feitos ao pai, amigas próximas da policial também contaram às autoridades que perceberam mudanças no comportamento da criança após o início da convivência com o tenente-coronel. Segundo essas testemunhas, a menina apresentava sinais claros de sofrimento emocional, incluindo perda de peso e episódios frequentes de enurese noturna, condição popularmente conhecida como xixi na cama.

Agora, o depoimento da criança é visto como uma das etapas mais importantes da investigação. A expectativa é que as informações prestadas possam ajudar a esclarecer detalhes sobre a rotina familiar e os acontecimentos que antecederam a morte da policial militar, um caso que continua gerando grande repercussão e acompanhamentos atentos por parte da Justiça e da sociedade.



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