Reviravolta no Caso Nardoni? Petição afirma que Anna Carolina Jatobá não matou Isabella

O caso Isabella Nardoni, um dos crimes que mais marcaram o Brasil, voltou a ganhar repercussão depois de um novo pedido apresentado à Justiça de São Paulo. Quase duas décadas após a morte da menina, uma petição protocolada tenta reabrir a discussão sobre a condenação de Anna Carolina Jatobá. O documento defende que ela não teria participado da etapa final do assassinato e, por isso, pede uma revisão criminal da sentença.

O pedido foi encaminhado ao promotor de Justiça da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Santana. Segundo as informações divulgadas, a petição foi assinada pelo advogado Angelo Carbone em nome de Agripino Magalhães, presidente da Associação do Orgulho LGBTQIAPN+. O texto apresenta uma versão diferente daquela que foi aceita pela Justiça durante o julgamento realizado anos atrás.

De acordo com o documento, Anna Carolina teria agredido Isabella, mas não seria a pessoa responsável pela morte da criança. A tese defendida afirma que quem teria determinado que Isabella fosse jogada pela janela do apartamento seria o avô paterno, Antônio Nardoni. Já Alexandre Nardoni, pai da menina, seria quem teria colocado essa ordem em prática.

Com essa nova linha de argumentação, a petição diz que Anna Carolina estaria cumprindo pena por um homicídio no qual não teria participado diretamente em sua fase final. Por esse motivo, o documento solicita que seja nomeado um advogado dativo para apresentar um pedido oficial de revisão criminal em favor da ex-detenta.

Outro ponto citado na representação envolve declarações atribuídas à própria Anna Carolina durante a investigação. Conforme o documento, ela sempre teria afirmado que não era responsável pela morte de Isabella e que não carregava culpa pelo homicídio. Essas falas são usadas para reforçar a versão apresentada pela defesa no novo pedido.

A petição também reúne relatos de testemunhas que, segundo a associação responsável pelo pedido, podem ajudar a esclarecer o caso. Entre esses depoimentos está o de uma agente penitenciária que afirma ter ouvido de Anna Carolina, ainda enquanto ela estava presa, que Antônio Nardoni teria orientado o casal e determinado que o crime fosse encoberto simulando um acidente.

Além desse testemunho, outra policial penal também teria relatado conversas parecidas. O documento menciona ainda uma ex-secretária de um escritório de advocacia. Segundo ela, Antônio Nardoni teria procurado profissionais para assumir a defesa da família logo após o crime, porém um conhecido criminalista teria recusado participar do caso.

Outro argumento apresentado é que Anna Carolina teria permanecido em silêncio durante anos por medo ou por uma suposta pressão exercida pelo sogro. Conforme a petição, essa situação teria continuado até que eventuais crimes atribuídos a Antônio Nardoni estivessem prescritos, impedindo qualquer responsabilização criminal contra ele.

O documento ainda volta a abordar um tema que já gerou polêmica anteriormente: os supostos privilégios que Anna Carolina teria recebido enquanto esteve presa na Penitenciária Feminina de Tremembé. Segundo a representação, ela teria conseguido benefícios incomuns durante o cumprimento da pena.

Entre as situações apontadas está a entrada de um colchão ortopédico de alto valor em sua cela, além de um suposto acesso direto de Antônio Nardoni à direção da unidade prisional. A petição também afirma que ela ocupou funções internas que teriam facilitado sua progressão de regime até chegar ao regime aberto.

Apesar das alegações apresentadas, o documento representa apenas um pedido encaminhado à Justiça. Isso significa que todas as informações ainda precisarão ser analisadas pelas autoridades competentes antes de qualquer decisão. Até o momento, a condenação de Anna Carolina Jatobá continua válida, e não houve mudança no entendimento judicial sobre o caso.

Mesmo passados tantos anos, o assassinato de Isabella Nardoni continua despertando enorme interesse da opinião pública. Sempre que surge um novo documento ou uma nova movimentação judicial, o caso volta ao centro das discussões. Agora, resta aguardar se a Justiça entenderá que existem elementos suficientes para analisar a revisão criminal solicitada ou se manterá a decisão que já havia sido tomada anteriormente.



Recomendamos