A esperança reacendeu por algumas horas, mas acabou se transformando em mais um capítulo de frustração no caso que mobiliza Bacabal, no Maranhão, e já ultrapassou fronteiras estaduais. Duas crianças encontradas em um hotel no Pará, muito parecidas com os irmãos desaparecidos Ágata Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, não são as crianças procuradas pela polícia. A informação foi confirmada após checagem detalhada das autoridades.
Ágata e Allan desapareceram há 17 dias em Bacabal, junto com o primo Anderson Kauã, de oito anos. O caso ganhou grande repercussão no Maranhão e em outros estados, principalmente pela angústia da família e pelo mistério em torno do sumiço. Anderson, felizmente, foi encontrado com vida no dia 7 de janeiro, o que trouxe alívio momentâneo. Mas os dois irmãos seguem sem paradeiro conhecido.
Na última segunda-feira (19), a polícia recebeu denúncias de moradores do Pará informando que duas crianças muito semelhantes às que estão desaparecidas haviam sido vistas em um hotel do estado. Elas estavam acompanhadas de uma mulher, cujo comportamento chamou atenção. Segundo relatos, ela teria feito perguntas consideradas estranhas, como se a cidade era perigosa, como funcionava o município e se havia muitos registros policiais na região.
Diante da gravidade da informação, policiais do Pará foram até o hotel indicado. A movimentação gerou expectativa não apenas entre os agentes, mas também entre internautas e familiares que acompanhavam tudo pelas redes sociais. O repórter Romarinho, que vem cobrindo o caso desde o início, relatou o clima de tensão e esperança que tomou conta das equipes.
“Estávamos ansiosos aguardando uma resposta positiva sobre o desaparecimento dessas duas crianças. Quero agradecer, inclusive, os seguidores do estado do Pará que enviaram mensagens e ajudaram com informações. Um cidadão teria visto uma mulher com duas crianças com semelhança muito forte com as de Bacabal”, contou o jornalista.
Segundo ele, a Polícia Civil do Maranhão foi imediatamente acionada. O delegado Ederson Martins, da capital maranhense, foi informado sobre a situação e acompanhou à distância os desdobramentos da abordagem feita no hotel. A mulher foi identificada, assim como as crianças que estavam com ela.
Após verificação minuciosa, análise de documentos e comparação de fotos e vídeos, a polícia descartou a possibilidade de se tratar de Ágata e Allan. “Eram um pouco parecidas, sim. Mas, após checagem documental e visual, ficou confirmado que não são as mesmas crianças. Infelizmente, não era”, afirmou Romarinho, visivelmente decepcionado.
Com isso, as buscas retornaram ao ponto inicial, e a angústia da família voltou a aumentar. Cada pista falsa, apesar de compreensível, acaba sendo um baque emocional para todos os envolvidos.
O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, falou novamente sobre o caso e reforçou qual é a principal linha de investigação no momento. Segundo ele, a hipótese mais forte continua sendo a de que as crianças tenham se perdido sozinhas em uma área de mata, sem envolvimento direto de terceiros. Ainda assim, ele garantiu que nenhuma possibilidade está sendo descartada.
“A Polícia Civil segue com uma comissão especial. São cinco delegados e vários agentes envolvidos. Não podemos detalhar linhas de investigação porque isso pode atrapalhar o trabalho, mas todas estão sendo checadas”, explicou o secretário.
Maurício Martins também destacou que o foco principal segue sendo as buscas. “Entendemos que há elementos que indicam que essas crianças ainda possam estar na região. Por isso, seguimos com as buscas de forma intensa”, disse.
Como reforço, a Marinha do Brasil foi acionada para auxiliar nas varreduras no rio Mearim, área considerada estratégica nas investigações. “Tudo que for necessário para encontrar essas duas crianças será feito. Esse é o nosso objetivo principal”, concluiu o secretário.
Enquanto isso, Bacabal segue em oração, agarrada à esperança de que Ágata e Allan sejam encontrados com vida. O tempo passa, mas a mobilização continua — e cada dia conta.