Repórter surpreende com atitude ao ser interrompido por mulher ao vivo na Globo

Na quarta-feira (13), um episódio curioso aconteceu durante a transmissão ao vivo do Bom Dia SP. O repórter Guilherme Pimentel estava começando a falar sobre um caso importante, quando, de repente, uma mulher em situação de rua apareceu bem atrás dele. Ela se aproximou e começou a falar com ele, de um jeito que parecia pedir alguma coisa. O jornalista, sem perder a calma, pediu um tempinho e fez questão de ser educado com ela, dizendo: “Um minutinho, um minutinho, só um minutinho, por favor.” A mulher não parou e continuou insistindo, com um pedido que parecia ser por comida.

Pimentel, num gesto que mostrou uma humanidade grande, respondeu com um “Claro, com certeza”. Em nenhum momento ele se alterou ou demonstrou irritação com a situação inusitada. Ele pediu desculpas à câmera e voltou a falar sobre o caso que estava cobrindo, sobre o assassinato de um delator de facção criminosa no Aeroporto de Guarulhos, sem perder o foco na informação que estava transmitindo.

O incidente aconteceu enquanto a equipe da Globo estava em frente à sede da Polícia Civil de São Paulo, no centro da cidade. Essa região é bem conhecida por ser um ponto de aglomeração de pessoas em situação de rua, e é normal encontrar pessoas pedindo ajuda ou até tentando interagir com quem passa por ali. O que aconteceu com o repórter não foi um caso isolado, já que essa área é uma das mais críticas da cidade, tanto pela grande quantidade de moradores de rua quanto pelo tráfico de drogas. Aliás, esse tipo de ocorrência tem se tornado cada vez mais comum, com a galera tentando fazer suas coisas normalmente, mas sendo interrompida por pessoas que, muitas vezes, estão numa situação desesperadora.

Eu até acho que é importante ressaltar como o Pimentel lidou com a situação. Ao invés de tentar ignorar a mulher ou reagir de forma ríspida, ele mostrou uma postura de compreensão, algo que é até raro ver em jornalismo, ainda mais em momentos de pressão como aquele, em que ele tinha que continuar o jornalismo ao vivo. A cena acaba trazendo à tona a realidade das ruas, que muitas vezes a gente tenta ignorar ou fingir que não existe, mas tá ali o tempo inteiro, bem debaixo dos nossos olhos.

Em São Paulo, principalmente no centro, é quase impossível não se deparar com essa realidade. A cidade tem um dos maiores números de pessoas em situação de rua, e isso acaba sendo um reflexo de vários problemas sociais e econômicos que afetam a vida dessas pessoas. E olha, a situação tem piorado com o tempo, e fazer reportagens ao vivo nessa região tem se tornado cada vez mais difícil e arriscado. Não é raro que as gravações sejam interrompidas por pessoas tentando pedir algo ou até mesmo por aqueles que têm intenções não tão boas, como furtos ou roubos.

E o que mais me chamou atenção nesse episódio foi como o Pimentel se manteve tranquilo durante toda a situação. Ele simplesmente continuou a narração do caso, com respeito à mulher, sem deixar o foco da notícia, que era bem séria. Isso mostra como ele foi profissional e, ao mesmo tempo, sensível à realidade das pessoas que vivem nas ruas. Talvez, muitas vezes, a gente só pense no trabalho como uma questão de cumprir o papel, mas esse tipo de reação mostra como o jornalismo também tem um lado humano que muitas vezes não é notado.

Enfim, o episódio é um reflexo não só de como o repórter lidou com o imprevisto, mas também de uma questão maior, que é o cenário da pobreza e da desigualdade social nas grandes cidades, como São Paulo. O repórter cumpriu sua função, mas nos fez pensar sobre o que está acontecendo ao nosso redor, e o que podemos fazer como sociedade para lidar com essas situações de maneira mais justa e humana.



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