Quem acompanha os grandes prêmios das loterias talvez pense que ganhar na Mega-Sena é apenas uma questão de sorte. Mas, para o empresário cearense Alessandro Montenegro, conhecido como “Rei do Bolão”, existe muito mais por trás de uma aposta milionária. Em menos de três meses, dois bolões organizados por sua lotérica, em Fortaleza, foram premiados com valores enormes. E ele garante que não conta com superstição para chegar aos números.
No último domingo, dia 9 de agosto, um bolão da lotérica Aldeota, que pertence a Alessandro, acertou sozinho o prêmio da Mega-Sena, que estava acumulado em R$ 164,8 milhões. A aposta tinha 15 números e foi dividida em 100 cotas. Com isso, cada participante ficou com mais de R$ 1,6 milhão. O próprio empresário também tinha uma das cotas.
Essa não foi a primeira vez que a lotérica chamou atenção em 2026. Em maio, durante o sorteio especial que marcou os 30 anos da Mega-Sena, outro bolão da Aldeota levou metade de um prêmio de R$ 336,3 milhões. Na ocasião, a bolada de R$ 168,1 milhões foi dividida entre 100 cotas.
Para Alessandro, porém, o resultado não deve ser visto apenas como uma obra do acaso. Ele afirma que acompanha os resultados diariamente e gosta de estudar as estatísticas das loterias. Enquanto muitos apostadores escolhem números por sonhos, datas de aniversário ou até por alguma coincidência, ele prefere olhar os dados.
“Eu realmente não tenho superstição. O que tenho é uma rotina de análise”, explicou o empresário.
A rotina, segundo ele, começa durante o dia no trabalho e continua à noite. Às 21h, um alarme no celular avisa que é hora de acompanhar os sorteios. Depois, Alessandro observa os resultados e comenta as informações nas redes sociais. Ele mesmo compara esse trabalho ao de um comentarista esportivo, só que no lugar de analisar partidas, estuda números.
A aposta com mais números
A principal estratégia defendida pelo Rei do Bolão é aumentar a quantidade de dezenas escolhidas. Uma aposta simples da Mega-Sena, com seis números, tem uma chance muito pequena de acertar os seis sorteados. Quando o jogador coloca mais dezenas no mesmo bilhete, as possibilidades aumentam, mas o preço também sobe bastante.
Uma aposta de 15 números, por exemplo, custa R$ 30.030. É um valor que está longe da realidade da maioria dos apostadores. E é justamente nesse ponto que o bolão se torna uma alternativa.
Em vez de uma única pessoa pagar toda a aposta, o valor é dividido em várias cotas. Assim, mais gente consegue participar de um jogo com uma quantidade maior de números sem precisar colocar milhares de reais do próprio bolso.
A mesma lógica é utilizada por Alessandro em outras modalidades, como Quina e Lotofácil. Na Lotofácil, por exemplo, aumentar a quantidade de dezenas também melhora consideravelmente as chances, mas pode fazer o preço da aposta ficar muito alto. No bolão, esse custo é repartido entre os participantes.
Por trás disso existe uma operação que não é tão simples quanto parece. Alessandro conta com cerca de 100 colaboradores, que trabalham em sistema de rodízio. A equipe acompanha os jogos, prepara os volantes e organiza as apostas antes mesmo que elas sejam colocadas à venda.
Bolão é permitido pela Caixa
A venda de cotas de bolões por lotéricas credenciadas é permitida e segue regras determinadas pela Caixa. O comprador, porém, precisa ficar atento a um detalhe muito importante: cada cota deve ser acompanhada do recibo individual emitido pelo terminal oficial.
Esse pequeno papel é fundamental. Sem ele, o apostador pode ter problemas para comprovar sua participação caso aquela aposta seja premiada.
Outra curiosidade da estratégia utilizada na lotérica é manter as mesmas combinações de números ao longo dos concursos. Ou seja, as sequências não são alteradas a todo momento.
No fim das contas, o “Rei do Bolão” parece ter encontrado uma maneira de transformar a loteria em um negócio baseado em organização, volume e análise. Claro, ninguém consegue garantir que uma combinação será vencedora. A sorte continua sendo parte da história. Mas, para Alessandro, preparar bem o jogo pode fazer toda a diferença.