A treta envolvendo o apresentador Ratinho e a deputada federal Erika Hilton ganhou um novo capítulo — e daqueles que costuma parar na Justiça. O comunicador decidiu processar a parlamentar por injúria, calúnia e difamação depois de uma postagem feita por ela nas redes sociais, onde o chamou de “rato”. A situação, que já vinha esquentando há alguns dias, acabou escalando de vez.
Segundo informações divulgadas pela coluna “Outro Canal”, do jornal Folha de S.Paulo, o processo foi registrado no dia 14 de abril, na 7ª Vara Criminal de Brasília. Não demorou muito e a Justiça já determinou que Erika Hilton fosse notificada pra se manifestar. Ou seja, o caso tá andando — e rápido até.
Mas pra entender essa confusão toda, é preciso voltar um pouquinho. Tudo começou quando Ratinho, durante seu programa no SBT, resolveu comentar a escolha da deputada para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, na Câmara. E aí… bom, aí veio a fala que gerou revolta.
De forma bem direta, o apresentador questionou a indicação de Erika, que é uma mulher trans. “Tem tanta mulher, por que vai dar para uma trans? Ela não é mulher, ela é trans”, disparou. Em seguida, tentou amenizar — mas acabou piorando: “Não tenho nada contra trans, mas tem outras mulheres, mulheres mesmo…”. Aquela típica frase que começa tentando explicar e termina complicando ainda mais.
E não parou por aí. Ratinho ainda soltou declarações polêmicas sobre o que ele considera ser uma “mulher de verdade”. Disse que mulher precisa ter útero, menstruar e até comentou sobre as dores do parto. Foi um trecho que repercutiu bastante, principalmente nas redes sociais, onde esse tipo de fala não passa batido hoje em dia.
Além disso, ele também criticou o que chamou de “exageros” nas pautas de inclusão. “Vamos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar. Estão exagerando”, afirmou. Essa parte, inclusive, pegou mal pra muita gente, principalmente em um momento em que debates sobre diversidade e respeito estão cada vez mais presentes no Brasil — e no mundo.
A resposta de Erika Hilton veio rápida, sem rodeio e no mesmo tom direto. Em suas redes sociais, ela reafirmou sua identidade e não poupou palavras ao se referir ao apresentador. “Eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato”, escreveu. Foi essa frase, inclusive, que virou o centro da ação judicial movida por Ratinho.
Na visão da defesa do apresentador, a fala da deputada ultrapassou os limites da crítica política e atingiu diretamente a honra dele. Já sobre os comentários feitos no programa, a argumentação é de que se tratavam apenas de opiniões — algo comum em programas desse tipo.
Só que a história não termina aí. Antes mesmo dessa ação, Erika Hilton já havia tomado medidas contra Ratinho. Ela entrou na Justiça acusando o apresentador de transfobia e pediu uma indenização de R$ 10 milhões. Sim, o valor é alto e mostra o tamanho do impacto que ela alega ter sofrido.
E teve mais: a deputada também solicitou ao Ministério das Comunicações a suspensão do programa de Ratinho por 30 dias. Um pedido que, se atendido, teria um impacto grande na programação do SBT e também na carreira do apresentador.
No fim das contas, o que começou como uma troca de farpas virou uma disputa judicial de peso, envolvendo liberdade de expressão, identidade de gênero e os limites da opinião pública. Um caso que ainda deve render bastante — e que muita gente já está acompanhando de perto.