Rachel Sheherazade detona método da megaoperação no Rio de Janeiro: ‘Direito de matar?’,

Na última terça-feira (28), o Rio de Janeiro amanheceu sob o som dos helicópteros e o medo que tomou conta das comunidades do Complexo da Penha e do Alemão. A megaoperação policial, que durou horas, acabou entrando para a história — infelizmente — como a mais letal já registrada no estado. Segundo dados oficiais, 132 pessoas morreram, entre elas quatro policiais. O número de feridos ainda não foi divulgado, e mais de 80 suspeitos foram presos.

Apesar da tragédia, o governador do estado comemorou o resultado, classificando a ação como um “sucesso” no combate ao crime organizado. Mas a declaração não caiu bem. Muita gente enxergou a operação como mais um capítulo sangrento de uma política de segurança que parece não ter fim — e nem piedade. Nas redes sociais, o debate pegou fogo.

Entre as vozes mais firmes na crítica está a da jornalista Rachel Sheherazade, que usou suas redes para expressar indignação com o que chamou de “banho de sangue”. Num vídeo que viralizou, Rachel questionou:

“Eu não estou entendendo por que as pessoas estão comemorando essa desastrosa operação policial no Rio de Janeiro que terminou com a morte de 64 pessoas. A polícia entrou nos complexos para cumprir 100 mandados de prisão, não para cometer 60 execuções. Não tem como colocarmos todos os mortos na vala comum.”

A fala dela reflete o sentimento de boa parte da população — especialmente de quem vive nas comunidades onde a operação aconteceu. Muitos moradores relatam o pânico e o som ininterrupto dos tiros. “Parece que a guerra nunca sai daqui”, disse um morador do Alemão em entrevista a uma rádio local.

No momento em que Rachel publicou seu vídeo, os números oficiais ainda eram menores. Mas, pouco depois, o Ministério Público do Rio de Janeiro atualizou os dados e confirmou 132 mortes. O aumento no total reforçou o clima de desconfiança sobre como a operação foi conduzida. Quem eram essas pessoas? Todas elas eram realmente criminosas? Ou há inocentes entre os corpos que ficaram pelo caminho?

Essas perguntas continuam sem resposta. Até agora, nenhum balanço oficial detalhou a identificação dos mortos, o que tem alimentado ainda mais a revolta. Organizações de direitos humanos também se manifestaram, pedindo transparência e uma investigação rigorosa sobre o que aconteceu.

De outro lado, apoiadores da operação dizem que foi um “mal necessário”. Argumentam que os complexos da Penha e do Alemão são dominados por facções e que, sem ações duras, o tráfico seguiria mandando. Há quem veja os mortos como “baixas inevitáveis” de uma guerra urbana que já dura décadas.

Mas a dúvida persiste: até que ponto é aceitável celebrar uma operação com mais de cem mortos? A frase de Rachel Sheherazade ecoa justamente nessa contradição — entre a luta por segurança e o respeito à vida.

Enquanto o governo tenta sustentar o discurso de eficiência, o povo do Rio vive a rotina do medo, da perda e da desconfiança. A cada nova operação, as mesmas imagens se repetem: caveirões, fumaça, tiros, mães chorando. E a sensação de que nada muda.

Ao fim do dia, o estado contabiliza números, mas por trás de cada dado há uma história interrompida. Rachel, ao questionar a comemoração da tragédia, apenas verbalizou o que muitos brasileiros sentem — um misto de indignação, tristeza e impotência diante de uma guerra que parece não ter fim.



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