O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (1º) uma nova rodada de sanções contra pessoas e empresas que, segundo as autoridades americanas, estariam ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida foi divulgada pelo Departamento do Tesouro e atinge dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia registrada em Portugal.
Na prática, a decisão determina o bloqueio de todos os bens e ativos que essas pessoas e empresas possam ter em território norte-americano. Além disso, cidadãos e empresas dos Estados Unidos ficam proibidos de realizar qualquer tipo de negociação com os alvos das sanções. Bancos e instituições financeiras de outros países que insistirem em manter relações comerciais com os envolvidos também poderão sofrer punições, o que amplia ainda mais o alcance da medida.
Entre os nomes citados está Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pelas autoridades dos EUA como uma peça importante na estrutura financeira da organização criminosa. Segundo o Departamento do Tesouro, ele teria atuado na lavagem de mais de US$ 30 milhões em diferentes cidades americanas, servindo como uma ligação entre operadores financeiros e integrantes do PCC.
Outro nome incluído na lista é Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. De acordo com o comunicado oficial, ela seria parente de Shimada e teria desempenhado funções consideradas estratégicas para o funcionamento da rede de lavagem de dinheiro. As investigações afirmam que Stella atuava como intermediária na movimentação de grandes quantias em espécie e também oferecia suporte logístico às operações.
Além das pessoas físicas, quatro empresas foram sancionadas. São elas: Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e a empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda.
Embora o comunicado não cite diretamente o Corinthians, o governo norte-americano lembra que Victor Shimada foi preso pela Polícia Federal, em janeiro de 2025, durante uma investigação envolvendo um suposto esquema de fraude em contratos de patrocínio ligados a um clube brasileiro de futebol.
Segundo as autoridades dos Estados Unidos, a empresa Victory Trading teria sido utilizada para lavar recursos desviados por meio desse esquema. A acusação afirma que a companhia fazia parte de uma estrutura montada para ocultar a origem do dinheiro obtido de forma ilícita.
As investigações realizadas no Brasil também apontam movimentações consideradas suspeitas. Um inquérito conduzido pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) identificou um repasse de R$ 200 mil feito pela Victory Trading para a empresa UJ Football Talent Intermediação. Conforme os investigadores, o valor teria sido posteriormente direcionado à Neoway Soluções, empresa que seria registrada em nome de um laranja.
Após a divulgação das sanções, a defesa de Victor Henrique de Oliveira Shimada afirmou que ainda não teve acesso aos documentos que fundamentaram a decisão tomada pelas autoridades americanas. Por isso, segundo os advogados, não seria possível apresentar uma manifestação detalhada neste momento.
Mesmo assim, a defesa reforçou que Victor nega qualquer envolvimento com organizações criminosas ou com práticas de lavagem de dinheiro. Em nota, os advogados afirmaram que o caso será analisado com cautela assim que tiverem acesso ao conteúdo completo da investigação. Eles também disseram confiar que todos os fatos serão esclarecidos pelos meios legais e que qualquer conclusão antes disso seria precipitada.
As novas sanções acontecem poucas semanas depois de uma decisão importante do governo dos Estados Unidos. Em 5 de junho, a gestão do presidente Donald Trump classificou oficialmente o PCC e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras, conhecidas pela sigla FTO.
A medida, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, muda de forma significativa a maneira como as duas facções passam a ser tratadas pelas autoridades americanas. Antes vistas apenas como organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas, elas agora entram na mesma categoria utilizada para grupos terroristas internacionais.
Com essa mudança, os Estados Unidos ampliam seu poder para rastrear recursos financeiros, bloquear patrimônios, aplicar novas sanções e perseguir integrantes ou colaboradores das facções mesmo fora do território brasileiro. Além do cerco financeiro, pessoas e empresas que prestarem qualquer tipo de apoio aos grupos poderão responder a medidas ainda mais severas previstas na legislação americana, incluindo restrições de imigração e outras punições legais.