A morte de Brenda Larissa Maia, de 32 anos, após passar pela UPA de Justinópolis, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, gerou forte comoção nas redes sociais e levantou uma série de questionamentos sobre o atendimento recebido pela paciente nas horas que antecederam sua morte.
Moradora de Belo Horizonte, Brenda convivia com problemas de saúde já conhecidos pela família. Ela tinha diagnóstico de fibromialgia e também sofria de uma cardiopatia. Além disso, deixa uma filha de apenas 5 anos, diagnosticada com autismo, o que tornou a tragédia ainda mais dolorosa para parentes e amigos.
Segundo informações divulgadas pela família, Brenda procurou atendimento médico na tarde do último sábado (6), por volta das 14h30. Ela reclamava de fortes dores no peito e acabou permanecendo internada na unidade de saúde. Com o passar das horas, o estado dela teria piorado.
Durante a noite, Brenda enviou mensagens para a mãe relatando preocupação com sua condição clínica. Em uma das conversas, ela demonstrou medo e chegou a fazer um pedido que agora emociona quem acompanha o caso.
“Eu te amo. Mãe, se te ligarem pedindo permissão para ventilação mecânica, não autoriza, tá. Eu não aguento. A saturação piorou mesmo no oxigênio, coração também”, escreveu.
Pouco tempo depois, já durante a madrugada, por volta de 1h30, Brenda decidiu gravar vídeos dentro da própria unidade de saúde. Nas imagens, que passaram a circular amplamente na internet após sua morte, ela aparece denunciando o que considerava uma demora excessiva no atendimento.
Em um dos registros, a paciente mostra salas aparentemente vazias e afirma que havia profissionais em horário de descanso enquanto pessoas aguardavam assistência médica. A gravação rapidamente ganhou repercussão e provocou indignação em muitos internautas.
“A UPA está agora, literalmente, com todas as salas vazias. Tem médico no descanso e uma médica vai sair para conduta de transferência”, afirmou Brenda em um dos vídeos.
Em outro momento, ela diz que sua intenção não era reclamar apenas da própria situação. Segundo a paciente, havia outras pessoas enfrentando dificuldades semelhantes dentro da unidade.
“Da mesma forma que eu vim aqui lutar pelos direitos de quem está trabalhando, eu vou lutar pelos que estão aqui. Não é só eu”, declarou.
Após a confirmação da morte, familiares passaram a questionar se houve falha ou negligência médica durante o atendimento. A família acredita que alguns procedimentos poderiam ter sido realizados de forma mais rápida diante da gravidade do quadro apresentado por Brenda. No entanto, essa hipótese ainda será analisada pelas autoridades responsáveis.
A Prefeitura de Ribeirão das Neves, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, divulgou uma nota lamentando o ocorrido. O município informou que determinou uma apuração rigorosa para esclarecer todos os detalhes relacionados ao caso.
De acordo com a administração municipal, serão reunidas informações, documentos e relatos dos profissionais envolvidos para verificar se houve alguma irregularidade no atendimento prestado. Caso sejam constatadas falhas, medidas técnicas e jurídicas poderão ser adotadas.
Paralelamente, a Polícia Civil de Minas Gerais também iniciou uma investigação para apurar as circunstâncias da morte. O corpo de Brenda foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) Dr. André Roquette, em Belo Horizonte, onde passou por exames periciais.
Os laudos produzidos pelos especialistas deverão ajudar a esclarecer qual foi a causa exata da morte e se existiu alguma relação entre o atendimento recebido e o desfecho fatal.

Em nota, a corporação informou que um inquérito policial já foi instaurado e que aguarda a conclusão dos exames periciais para dar andamento às investigações. Enquanto isso, familiares seguem em busca de respostas e cobram esclarecimentos sobre tudo o que aconteceu nas últimas horas de vida de Brenda Larissa Maia.