O remake da novela Vale Tudo já vinha chamando atenção por tentar equilibrar nostalgia e modernidade, mas um detalhe recente acabou pegando o público de surpresa: o reencontro de Heleninha (Paolla Oliveira) com o irmão Leonardo, interpretado pelo ator Guilherme Magon. Essa cena não existia na versão original de 1988 e, justamente por isso, virou rapidamente assunto nas redes sociais. Muita gente comentou não apenas o impacto narrativo, mas também a presença de Magon, que, mesmo sendo estreante em novelas, surgiu com força e ganhou espaço dentro da trama.
A curiosidade é natural: quem é esse novo rosto que entrou em uma novela desse tamanho já com papel de destaque? A resposta não é tão simples porque, embora para o grande público ele possa parecer um novato, Guilherme Magon tem uma carreira bem consistente, principalmente nos palcos.
Pra se ter uma ideia, em 2011 ele já havia enfrentado um desafio enorme: substituir ninguém menos que Reynaldo Gianecchini em Cabaret, musical estrelado por Claudia Raia. Na época, Gianecchini estava afastado por conta do tratamento contra o câncer, e cabia a Magon assumir o protagonismo. Foi um daqueles testes de fogo que podiam facilmente engolir um ator em início de carreira, mas, ao contrário, ele conquistou crítica e público. Essa virada foi um ponto de partida que mudou os rumos da sua trajetória artística.
Desde então, o ator mergulhou de vez no universo dos musicais. Participou de montagens marcantes, como Tribos, ao lado de Antônio Fagundes, e também esteve em Hebe: O Musical, que revisitou a vida de uma das maiores estrelas da TV brasileira. Paralelamente, seguiu investindo na formação, passando por instituições respeitadas como o Teatro Escola Célia Helena e a Oficina de Atores da Globo. Essa combinação de prática em grandes espetáculos e estudo sólido explica, em parte, a segurança que ele demonstrou já na sua primeira novela.
E não pense que Magon ficou restrito ao teatro. Sua experiência nas telas também é significativa. Ele atuou em Assédio (2018), série disponível no Globoplay que repercutiu bastante por tratar do caso Roger Abdelmassih, e depois esteve em O Coro: Sucesso, Aqui Vou Eu (2022), projeto de Miguel Falabella que misturava música, drama e humor. Mais recentemente, em 2024, fez parte de O Som e a Sílaba, produção que também explorava esse seu talento múltiplo. Se a gente puxar um pouco mais pra trás, ainda dá pra lembrar da sua participação no filme Rinha (2008), que talvez tenha passado batido pelo grande público, mas marca mais um ponto de diversidade no seu currículo.

O interessante é perceber como esse conjunto de experiências cria um perfil diferente do típico “ator revelado pela novela”. Magon já vinha de um caminho consistente, construído com calma, até chegar agora a um papel que, de certa forma, o apresenta para milhões de brasileiros de uma só vez. Essa transição lembra um pouco trajetórias de outros nomes que vieram do teatro e depois se consolidaram na televisão.
Nas redes sociais, inclusive no X (antigo Twitter), fãs comentaram a química entre Paolla Oliveira e Magon, destacando como o encontro dos irmãos deu nova camada para a trama. Alguns perfis chegaram a comparar a força da cena com momentos icônicos da versão original, que, mesmo sem Leonardo, já tinha marcado época.
É curioso como, em pleno 2025, a teledramaturgia ainda consegue trazer esse frescor de novidade dentro de uma obra tão conhecida. Vale Tudo, que nasceu como uma crítica social e política nos anos 80, agora ressurge repaginada em um Brasil igualmente cheio de tensões. E a inclusão de Leonardo nesse contexto talvez simbolize esse esforço de atualizar a narrativa para os novos tempos.
Guilherme Magon, por sua vez, parece estar vivendo exatamente o que muitos chamam de “momento certo, hora certa”. Não é exagero pensar que essa estreia em novelas pode ser o início de uma nova fase na carreira dele. Afinal, quando um ator já chega com um papel central em uma produção desse porte e consegue segurar a responsabilidade sem parecer deslocado, o caminho tende a se abrir para outras oportunidades.
Resumindo: se o público ainda não conhecia Guilherme Magon, agora conhece. E pelo visto, ele veio pra ficar.