Daniel Vorcaro, 42 anos, dono e controlador do Banco Master, virou novamente assunto nacional depois de ser preso pela Polícia Federal na última segunda-feira (17/11). A detenção aconteceu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, num desses momentos que parecem até cena de série policial. Segundo a PF, ele tentava embarcar às pressas em um jato particular quando agentes o interceptaram, numa ação da Operação Compliance Zero, que segue investigando a emissão e negociação de títulos de crédito falsos ligados ao banco comandado por ele.
De acordo com a corporação, Vorcaro estaria deixando o país no momento da abordagem. A defesa rebateu rapidamente, dizendo que não havia fuga alguma: o destino, segundo os advogados, seria Dubai, onde o empresário teria uma reunião com possíveis compradores do Master. O jato — avaliado em algo perto de R$ 200 milhões — acabou apreendido e virou símbolo imediato do caso, circulando em vídeos e fotos nas redes sociais. Após a prisão, ele foi levado para a Superintendência da PF em São Paulo e teve a detenção mantida na audiência de custódia, como já era esperado diante da repercussão.
Quem é Daniel Vorcaro
Nascido em Belo Horizonte, em 6 de outubro de 1983, Vorcaro não é exatamente desconhecido no mundo financeiro. Formado em Economia e com MBA pelo Ibmec, ele ganhou destaque ao assumir o controle do Banco Master, que cresceu rapidamente no mercado, especialmente após fechar operações pesadas com o BRB (Banco de Brasília). O BRB comprou títulos emitidos pela instituição de Vorcaro — e isso, claro, acabou entrando no radar das investigações mais recentes.
Mas o banqueiro não se limitou ao setor financeiro tradicional. Ele também se tornou acionista da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético-MG, com 20,2% da gestão do clube por meio do fundo Galo Forte. Só que essa participação, que poderia passar batida como investimento de alto padrão, acabou levantando suspeitas. A origem dos recursos é alvo de investigação por possível ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), um detalhe que deixou o caso ainda mais carregado, especialmente depois de outros episódios recentes envolvendo lavagem de dinheiro no futebol brasileiro.
A verdade é que Vorcaro vinha chamando atenção pelo estilo de vida luxuoso muito antes da prisão. Nos últimos anos, acumulou uma frota de aeronaves executivas — um Falcon 7X, um Falcon 5X e um Gulfstream GV — que seriam itens de desejo de qualquer empresário milionário. Uma dessas aeronaves, inclusive, foi justamente a que a PF apreendeu durante a operação no aeroporto.
O banqueiro também aparecia com certa frequência nas redes sociais da namorada, a empresária e influenciadora Martha Graeff. Ela costumava registrar viagens do casal para destinos que parecem catálogo de agência de luxo: Capri e Puglia, na Itália; Costa Rica; Saint Barths; Alpes Franceses; Miami; além da clássica Trancoso, na Bahia, onde várias celebridades brasileiras se reúnem no fim do ano. Esse estilo de vida, que geralmente passa despercebido para quem está “na pista”, acabou se tornando parte da narrativa que o público acompanha agora.
O que investiga a Operação Compliance Zero
A operação da PF apura um suposto esquema de criação e venda de títulos falsos que circulavam como se fossem ativos regulares no mercado financeiro — algo que mexe direto com a confiança do setor, ainda mais em um momento de atenção aos escândalos envolvendo bancos médios e fintechs. Segundo os investigadores, havia uma estrutura organizada dentro do Banco Master dedicada a viabilizar essas emissões fraudulentas.
As apurações começaram em 2024, depois de uma requisição do Ministério Público Federal, e ganharam tração ao longo de 2025, especialmente com o aumento das tensões no mercado após outros casos de fraudes financeiras virem à tona. A expectativa agora é que novas fases da operação revelem detalhes mais densos e, quem sabe, esclareçam o tamanho real do rombo — e da responsabilidade de Vorcaro dentro disso tudo.