O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) oficializou nesta quarta-feira (5/8) o nome que vai ocupar a vaga de vice-presidente em sua chapa na disputa pelo Palácio do Planalto. Depois de semanas tentando ampliar sua aliança política e sem conseguir atrair novos partidos para o projeto eleitoral, o parlamentar confirmou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu companheiro de campanha.
A decisão acabou surpreendendo boa parte dos bastidores de Brasília. Até então, o nome de Gaspar não aparecia entre os mais comentados para a vaga. A expectativa era outra. Muitos aliados acreditavam que Flávio escolheria uma mulher como candidata a vice, estratégia que poderia ajudar a diminuir a resistência de parte do eleitorado feminino e ampliar o alcance da chapa durante a campanha.
No fim das contas, a escolha por Alfredo Gaspar aconteceu depois que negociações com partidos importantes da direita não avançaram. PP e Republicanos, que eram vistos como possíveis aliados, preferiram não declarar apoio oficial ao senador neste momento da corrida presidencial.
Segundo pessoas ligadas às conversas, essas legendas decidiram manter uma posição de neutralidade por causa de divergências internas e também porque querem concentrar seus esforços nas disputas pelos governos estaduais e pelas vagas na Câmara dos Deputados e no Senado. Essa estratégia já vinha sendo discutida há algum tempo entre dirigentes das duas siglas.
Nos bastidores, um dos nomes mais desejados por Flávio Bolsonaro para ocupar a vice era o da senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ex-ministra da Agricultura, ela é considerada uma das principais representantes do agronegócio brasileiro e tinha boa aceitação dentro do grupo político do PL.
Outro nome que também chegou a ser analisado foi o da economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo de Jair Bolsonaro. Apesar das conversas, nenhuma das duas possibilidades acabou avançando até a definição da chapa.
Com isso, Alfredo Gaspar surgiu como a alternativa escolhida. O deputado é um nome conhecido em Alagoas e construiu boa parte da sua carreira no Ministério Público. Antes de entrar definitivamente para a política, foi promotor de Justiça, procurador-geral de Justiça do estado e também secretário de Segurança Pública, cargo em que ganhou visibilidade por operações de combate ao crime organizado.
No Congresso Nacional, Gaspar ganhou destaque recentemente ao atuar como relator da CPMI do INSS, comissão criada para investigar supostos desvios envolvendo benefícios de aposentados e pensionistas. O relatório apresentado por ele pediu mais de 200 indiciamentos e incluiu o pedido de prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Apesar da repercussão, o documento acabou rejeitado pelos integrantes da própria comissão e não foi aprovado.
Durante o evento de apresentação da chapa, Flávio Bolsonaro fez vários elogios ao novo companheiro de campanha. O senador destacou a trajetória profissional de Gaspar e afirmou que sua escolha foi baseada no histórico de atuação na vida pública.
“É uma pessoa que eu aprendi a admirar, todos vocês aqui aprenderam a admirar pela coragem, pela honestidade, pela sua história à frente da segurança pública”, declarou Flávio durante o anúncio oficial.
Na sequência, o senador também lembrou a passagem de Alfredo Gaspar pelo Ministério Público e sua participação na CPMI do INSS. Segundo Flávio, o deputado sempre atuou com firmeza na defesa dos aposentados e pensionistas durante os trabalhos da comissão.
A definição da chapa evidencia um cenário diferente daquele vivido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro na eleição de 2022. Na ocasião, PP e Republicanos declararam apoio à candidatura presidencial, embora a chapa também fosse formada exclusivamente por integrantes do PL, tendo o general Braga Netto como candidato a vice-presidente.
Agora, Flávio Bolsonaro entra na disputa presidencial com uma base de apoio mais enxuta, mas aparece como um dos principais nomes da oposição. Pesquisas eleitorais divulgadas nas últimas semanas apontam o senador como um dos candidatos mais competitivos para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro.
Do outro lado, Lula buscará um novo mandato mantendo Geraldo Alckmin (PSB) como vice-presidente. A coligação governista reúne sete partidos: PT, PSB, Rede, PV, PSOL, PCdoB e PDT. Em comparação com a eleição de 2022, o número de legendas diminuiu, mas a composição continua concentrada em partidos de esquerda e centro-esquerda.
Com as chapas praticamente definidas, a expectativa agora se volta para o início mais intenso da campanha eleitoral. Os próximos meses devem ser marcados por viagens, debates, encontros com eleitores e novas articulações políticas, enquanto os candidatos tentam ampliar suas alianças e conquistar espaço na reta final antes da votação.