O clima esquentou de vez nos bastidores da política brasileira, e dessa vez o alvo foi a poderosa TV Globo. O Partido dos Trabalhadores (PT) não deixou barato e partiu pra cima após uma reportagem exibida nos últimos dias que, segundo integrantes da sigla, teria passado dos limites.
Quem puxou a fila das críticas foi o deputado federal Paulo Pimenta, do Rio Grande do Sul. Ex-ministro da Secretaria de Comunicação no governo do Luiz Inácio Lula da Silva, ele não economizou nas palavras. Em um vídeo publicado nas redes sociais — que, aliás, viralizou rápido — Pimenta classificou como “muito grave” a abordagem adotada pela emissora.
Tudo gira em torno de um tal “PowerPoint” apresentado em programas da GloboNews e também nos telejornais da casa. A peça, segundo o deputado, teria sido usada para construir uma narrativa sobre o chamado escândalo do Banco Master. E aí que começa a treta.
Pimenta fez uma comparação que chamou atenção. Ele disse que o material lembrou aquele episódio antigo envolvendo Deltan Dallagnol, lá na época da Lava Jato. Na visão dele, seria mais uma tentativa — nas palavras dele, “grotesca” — de influenciar a opinião pública com base numa apresentação visual que simplifica demais um caso complexo.
“Depois do que a gente viu anos atrás, achei que não veríamos algo parecido tão cedo”, comentou, visivelmente irritado. E não parou por aí.
Um dos pontos que mais incomodaram o parlamentar foi a ausência de nomes importantes na apresentação. Ele citou diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, o atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e também o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Segundo Pimenta, essas figuras seriam peças-chave dentro do que ele chamou de “Bolsomaster” — um suposto esquema ligado ao banco e que, de acordo com ele, teria conexões políticas relevantes. Só que, curiosamente (ou não, dependendo do ponto de vista), esses nomes não aparecem no tal PowerPoint exibido pela emissora.
E aí entra outro detalhe que ele fez questão de destacar. O deputado mencionou Fabiano Zettel, apontado por ele como operador financeiro do esquema. Zettel seria cunhado de Daniel Vorcaro, nome ligado ao Banco Master. Essa ligação, segundo Pimenta, reforçaria a tese de que há muito mais por trás da história do que foi mostrado na TV.
Num trecho que deu o que falar, ele ainda associou o caso ao financiamento de campanhas eleitorais recentes. “As campanhas que mais receberam dinheiro foram justamente as do Bolsonaro e do Tarcísio”, disse. E completou, quase em tom de desabafo: “E eles não aparecem… simplesmente não aparecem”.
Nos bastidores de Brasília, esse tipo de acusação já começa a gerar ruído. Não é de hoje que a relação entre o PT e a Globo tem altos e baixos — aliás, mais baixos do que altos nos últimos tempos. Mas dessa vez, a coisa parece ter ganhado um novo capítulo.
Enquanto isso, nas redes sociais, o assunto divide opiniões. Tem gente que concorda com Pimenta e vê parcialidade na cobertura. Outros acham que o deputado exagerou, e que a crítica tem mais a ver com disputa política do que com jornalismo em si.
No fim das contas, fica aquela sensação de que essa história ainda vai render. E bastante. Afinal, quando política, mídia e dinheiro entram no mesmo enredo… dificilmente acaba rápido.