Transporte Público em São Paulo: Polêmica e Decisões no Dia das Eleições
No último domingo, dia 25, a coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia o presidente Lula (PT), fez uma acusação séria contra a Prefeitura de São Paulo. Eles alegaram que a administração municipal estava operando o transporte público com apenas 60% da frota de ônibus durante o segundo turno das eleições presidenciais. Essa situação, segundo eles, poderia dificultar o acesso dos eleitores às urnas.
Na petição que foi enviada à Justiça Eleitoral, estavam figuras conhecidas como Mônica Cristina Bonfim, mais conhecida como Mônica das Pretas (PSOL), Sâmia Bomfim (PSOL) e Luana dos Santos Alves da Silva. A situação se tornou ainda mais tensa quando, no dia anterior, um juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Tiago Ducatti Machado, havia determinado que a cidade deveria disponibilizar 100% da frota de ônibus para a população no dia da votação. Essa decisão se baseou na Resolução TSE 23.751/2026, que exige que o transporte coletivo urbano opere com a mesma frequência dos dias úteis durante as eleições.
A Denúncia e Seus Efeitos
A coligação Brasil Pronto Pra Mais relatou ter recebido diversas denúncias de que poucos ônibus estavam circulando pela cidade. Eles afirmaram que isso comprometeria o deslocamento dos eleitores até os locais de votação, especialmente em bairros da Zona Leste, como o Itaim Paulista, que estariam entre os mais afetados pela redução na frota.
No documento, os representantes da coligação destacaram que “a consequência é concreta e imediata”, ao afirmar que a redução de cerca de 40% da frota no dia da votação aumentaria o tempo de espera, a lotação dos veículos e o custo do deslocamento. Isso, alegaram, atinge principalmente o eleitorado de menor renda, que depende do transporte público para chegar ao seu destino.
Além disso, a coligação exigiu a “intimação imediata do Município de São Paulo e da SPTrans”, para que restabelecessem a operação de 100% da frota de ônibus até o final da votação. Também solicitaram que a Prefeitura comprovasse o cumprimento da decisão em um prazo de apenas uma hora e que fosse imposta uma multa por hora de descumprimento. O Ministério Público Eleitoral também deveria ser chamado a se manifestar sobre a situação.
A Resposta da Prefeitura
Em resposta à situação, a Prefeitura de São Paulo emitiu uma nota criticando a decisão judicial, argumentando que ela foi tomada “a menos de 24 horas do pleito”. No entanto, a administração municipal prometeu cumprir a determinação. Eles afirmaram que a Prefeitura, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans iriam atender à ordem judicial, mesmo considerando-a desnecessária.
O comunicado também mencionou que a Prefeitura já havia comunicado às concessionárias responsáveis pelo transporte, mas ressaltou que elas teriam menos de 12 horas para organizar sua mão de obra e localizar mais de 10 mil trabalhadores para atender a demanda, o que poderia prejudicar o direito desses trabalhadores ao voto, uma vez que o escalonamento já estava programado.
Além disso, a gestão de Ricardo Nunes (MDB) informou que, no primeiro turno, cerca de 6.900 ônibus circularam pela cidade, com um reforço de 40% na frota, atendendo a uma demanda de aproximadamente 3,4 milhões de passageiros. Este mesmo plano estava previsto para o dia 25.
Acusações sobre a Viação Cometa
A coligação também fez críticas à Viação Cometa, acusando-a de não disponibilizar passagens online para trechos entre a capital e cidades como Santos, Ribeirão Preto, Campinas e Sorocaba. Eles pediram que o TRE-SP fiscalizasse, junto à Prefeitura e à empresa, medidas que garantissem o transporte dos eleitores.
A Viação Cometa, por sua vez, afirmou que estava cumprindo a determinação do TSE de oferecer trechos gratuitos no dia da eleição, mas ressaltou que a gratuidade estava sujeita à disponibilidade de vagas. Os interessados deveriam ir até os guichês da companhia para garantir o transporte gratuito.
Até o momento, a reportagem tentou contato com a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) para esclarecer em quais linhas a gratuidade estava autorizada, mas ainda não obteve resposta. O mesmo ocorreu com o TRE-SP, e a matéria será atualizada assim que novas informações forem disponibilizadas.
Considerações Finais
Essa situação envolvendo o transporte público em São Paulo e as eleições evidencia a complexidade e a importância do acesso à mobilidade urbana em um momento tão crítico como o de uma votação. A maneira como as autoridades lidam com tais questões pode ter um impacto significativo na participação dos cidadãos no processo democrático.