Presa, técnica de enfermagem acusa colega de tentar matá-la dentro da UTI

A técnica de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, presa sob suspeita de envolvimento na morte de pacientes em um hospital particular do Distrito Federal, apresentou uma versão que muda bastante o rumo do caso. Segundo ela, quem teria tentado matá-la foi justamente um colega de trabalho, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, enquanto ela ainda se recuperava de uma cirurgia bariátrica no Hospital Anchieta, em Taguatinga.

A informação foi confirmada pelo advogado de Amanda, Liomar Torres, que afirma que a cliente passou mal logo após receber uma medicação aplicada por Marcos. De acordo com ele, Amanda teve uma aceleração cardíaca muito forte, o que chamou atenção da equipe de plantão. Ainda segundo a defesa, a enfermeira chefe teria intervido na situação e feito um comentário direto, do tipo: “O Marcus tem que parar com isso, de ter acesso e regalia ao ambiente”. A frase, apesar de simples, hoje pesa bastante no contexto da investigação.

Amanda contou que começou a trabalhar no Hospital Anchieta em janeiro de 2025. Já em fevereiro, conheceu Marcos Vinícius, com quem acabou se envolvendo em um relacionamento extraconjugal. Segundo o advogado, a técnica disse que se sentiu enganada e manipulada, já que Marcos mentia com frequência durante o relacionamento. Esse detalhe pessoal, embora pareça fora do contexto criminal, acabou entrando no inquérito por mostrar o nível de proximidade entre os dois.

A defesa sustenta que Amanda não participou de nenhum crime e que sequer tinha conhecimento do que estaria acontecendo na UTI. Liomar Torres também afirmou que ela não estava de plantão no dia da morte do carteiro Marcos Raymundo, de 33 anos, uma das vítimas do caso. “As imagens divulgadas não provam nada. São recortes seletivos”, disse o advogado, demonstrando confiança na inocência da cliente.

Outro ponto citado por Amanda é a suspeita aplicação de detergente na veia de uma paciente, fato que teria causado revolta nas redes sociais nos últimos dias. Segundo ela, não presenciou esse procedimento e afirma que a paciente recebeu várias doses de medicamentos antes de sofrer paradas cardíacas e vir a óbito. Esse detalhe ainda está sendo apurado pela Polícia Civil.

Nas redes sociais, uma imagem antiga voltou a circular e causou ainda mais polêmica. Nela, Amanda aparece recebendo alta hospitalar ao lado de Marcos Vinícius e de Marcela Camilly Alves da Silva, também técnica de enfermagem investigada. Na legenda, Amanda agradece a equipe da UTI do Anchieta e escreve palavras de carinho, chamando o grupo de “meu time”. Hoje, o post ganha outra leitura e levanta questionamentos.

Amanda também trabalhou por apenas oito dias, em 2020, no Hospital da Criança de Brasília José Alencar, durante o auge da pandemia de Covid-19. A própria unidade confirmou a informação, ressaltando que o vínculo foi curto. Na época, como muita gente da área da saúde, ela expunha nas redes a rotina pesada e o clima de medo daquele período.

Ela se apresentava publicamente como mãe, cristã, intensivista e instrumentadora cirúrgica. Costumava postar fotos com a filha pequena e compartilhar músicas gospel e mensagens religiosas, algo comum entre profissionais da saúde que enfrentam jornadas estressantes.

Segundo apuração do portal Metrópoles, o trio detido pela Polícia Civil do DF é suspeito de matar João Clemente Pereira, servidor da Caesb; Marcos Moreira, dos Correios; e Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada. O hospital informou que a investigação começou por iniciativa própria, após notar situações consideradas fora do padrão na UTI. Se confirmadas as acusações, os suspeitos podem responder por homicídio doloso qualificado, com penas que chegam a até 30 anos de prisão.

O caso segue em investigação e ainda levanta muitas perguntas, num momento em que a confiança nos serviços de saúde também anda sendo bastante debatida no país.



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