A cena política de Pedra Preta, no interior de Mato Grosso, ganhou contornos de novela nessa quarta-feira (27). A prefeita Iraci Souza (PSDB) anunciou publicamente que pretende levar à Justiça o vereador Gilson José de Souza (União) e, além disso, protocolar um pedido de cassação do mandato dele na Câmara Municipal. A decisão veio depois de um episódio pra lá de polêmico: durante uma sessão, o vereador teria chamado a prefeita de “cachorra viciada”.
O caso, que poderia ter ficado restrito às paredes do plenário, rapidamente saiu do controle e ganhou repercussão até fora do Brasil. Segundo Iraci, a situação não é apenas um ataque pessoal, mas uma afronta à imagem do município e à política local. “Vamos até o extremo. Esperamos que o presidente da Câmara e os vereadores assumam o compromisso de respeitar a sociedade que os elegeu”, declarou a prefeita em tom firme, mas visivelmente emocionada.
Iraci fez questão de lembrar que a história com Gilson não começou agora. Pelo contrário: eles já foram aliados políticos. “O que mais me deixa triste é que esse parlamentar foi apoiado por nós. Ele conquistou o mandato graças ao trabalho que realizamos em conjunto, quando ele ainda era coordenador da nossa Secretaria de Agricultura. Lutamos para que chegasse lá e representasse toda a cidade. Hoje, ver essa postura desrespeitosa machuca profundamente”, desabafou.
O estopim da confusão foi a discussão de um projeto de lei que autorizava a prefeitura a repassar recursos para o sindicato rural organizar a tradicional exposição agropecuária do município. O evento, bastante aguardado pela população e importante para a economia local, já vinha sendo alvo de debates. No meio dessa discussão, a troca de farpas se transformou em ofensa explícita, deixando o clima ainda mais pesado.
A prefeita contou que, após o episódio, recebeu mensagens de solidariedade de várias partes do país e até de fora dele. Em tempos de redes sociais, onde tudo circula em segundos, não demorou para o caso viralizar. “Precisamos chamar a atenção das autoridades competentes, porque não é admissível que um parlamentar utilize a tribuna para ofender e sair impune. Como mulher, como prefeita e como mãe, precisamos dar uma resposta firme”, declarou.
Esse tipo de episódio não é novidade na política brasileira, infelizmente. O que chama a atenção, no entanto, é o nível da agressividade verbal, que escancara uma crise de respeito dentro das próprias casas legislativas. Em pleno 2025, quando a pauta de igualdade e respeito às mulheres ganha cada vez mais força – ainda mais depois das recentes discussões no Congresso sobre punições mais severas para casos de violência política de gênero – ver um caso como esse reacende o debate.
Na cidade, as opiniões se dividem. Alguns defendem a prefeita e criticam a atitude do vereador, enquanto outros acreditam que o embate faz parte do jogo político. Mas, convenhamos, xingar alguém com termos pejorativos dentro de uma sessão parlamentar vai muito além de uma simples divergência. É o tipo de situação que mina a credibilidade da Câmara e passa uma imagem ruim para a população, que já anda descrente com a política.
A expectativa agora é sobre os próximos passos. A Justiça deverá analisar a ação da prefeita, e a Câmara Municipal terá que decidir se abre, de fato, o processo de cassação contra Gilson. Se isso acontecer, será mais um capítulo conturbado na política de Pedra Preta, que já vinha enfrentando desafios administrativos, como a queda de arrecadação e as dificuldades de manter investimentos em saúde e educação.
Enquanto isso, a população observa tudo de perto, entre indignação e desconfiança. Muitos moradores comentaram nas redes que preferiam ver os políticos discutindo soluções para os buracos nas ruas e os problemas na iluminação pública, do que protagonizando cenas de ofensas pessoais. No fim, fica a sensação de que a política local precisa urgentemente resgatar o respeito e o diálogo, antes que as disputas pessoais ultrapassem os limites do aceitável.