A Polícia Federal passou a enxergar uma possível conexão entre o dinheiro movimentado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, negociado com Flávio Bolsonaro, e o lobby feito por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo investigadores, essa articulação teria ajudado a fortalecer medidas adotadas pelo governo americano contra o Brasil, incluindo o chamado “tarifaço” e até sanções envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
As informações foram divulgadas pelo jornalista Igor Gadelha e acabaram aumentando ainda mais a pressão em cima do núcleo bolsonarista. A investigação da PF tenta descobrir se Vorcaro teria bancado, mesmo que de maneira indireta, os custos da atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA. O dinheiro, inicialmente, teria sido separado para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Eduardo está vivendo nos Estados Unidos desde março de 2025. Nos bastidores, investigadores suspeitam que parte desses recursos possa ter sido usada não só em articulações políticas, mas também em despesas pessoais do deputado fora do Brasil. O foco da apuração é entender até onde esse dinheiro circulou e quem realmente se beneficiou dele.
Uma das linhas investigativas consideradas mais delicadas envolve justamente o lobby junto ao governo de Donald Trump. A PF avalia se essa movimentação ajudou a impulsionar medidas duras contra autoridades brasileiras, como restrições comerciais, cancelamento de vistos e até discussões ligadas à chamada Lei Magnitsky, usada pelos EUA para punir pessoas acusadas de violações graves ou corrupção.
Apesar da repercussão, vale lembrar que o lobby é permitido nos Estados Unidos e funciona de maneira legalizada por lá. O problema, segundo fontes ligadas ao caso, seria a origem do dinheiro utilizado nessas ações e o possível desvio de finalidade dos recursos.
Hoje, Eduardo Bolsonaro já responde a um inquérito no STF. O processo é relatado por Alexandre de Moraes e investiga justamente a atuação internacional do deputado em busca de sanções contra integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva e ministros da Suprema Corte brasileira. Nos corredores de Brasília, o assunto vem sendo tratado como uma das crises mais sensíveis do cenário político atual.
A situação ganhou novos capítulos depois de uma reportagem publicada pelo Intercept Brasil. O portal revelou mensagens e até um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro, onde ele pede apoio financeiro a Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro.
O contrato citado nas conversas teria previsão de R$ 134 milhões. Porém, de acordo com os dados analisados, apenas R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio deste ano. Essa diferença chamou atenção dos investigadores, principalmente pelo destino final do dinheiro.
Parte da quantia teria sido enviada para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e ligado a aliados próximos de Eduardo Bolsonaro. Coincidentemente, é no Texas que Eduardo mora atualmente com a família, o que aumentou ainda mais as suspeitas dentro da investigação.
A produtora Go Up Entertainment e o deputado Mário Frias, apontado como produtor executivo do longa, negam que tenham recebido recursos vindos de Vorcaro. Mesmo assim, Flávio Bolsonaro afirma que o banqueiro teria contribuído com aproximadamente US$ 12 milhões — algo perto de R$ 60 milhões na cotação atual.
Enquanto isso, o caso segue avançando nos bastidores da PF e também no STF. Em Brasília, muita gente já considera essa investigação uma bomba política capaz de gerar novos desdobramentos nas próximas semanas, principalmente porque envolve dinheiro, articulação internacional e possíveis sanções contra autoridades brasileiras.