PF se manifesta sobre a saúde de Bolsonaro e declaração chama atenção

A Polícia Federal divulgou nesta sexta-feira (6/2) o resultado da perícia médica feita em Jair Bolsonaro (PL), que atualmente cumpre prisão na chamada Papudinha, em Brasília. O documento era aguardado com certa ansiedade, tanto por aliados quanto por críticos do ex-presidente, já que a defesa vinha insistindo na tese de que o estado de saúde dele justificaria a conversão da pena em prisão domiciliar. Mas, pelo menos por enquanto, isso não deve acontecer.

Segundo a PF, Bolsonaro realmente apresenta problemas de saúde que exigem atenção e cuidados contínuos. Porém, o laudo é claro ao afirmar que não há, neste momento, necessidade de internação hospitalar nem de transferência para o regime domiciliar. Em outras palavras: o quadro inspira cuidado, mas não é considerado grave a ponto de mudar as condições da prisão.

O ponto que mais chamou atenção no relatório foi a menção a sinais e sintomas neurológicos. De acordo com os peritos, essas manifestações aumentam o risco potencial de novos episódios de queda, algo que já preocupa médicos e a própria administração do presídio. Por conta disso, os profissionais indicaram que Bolsonaro precisa passar por uma investigação diagnóstica mais detalhada, para entender melhor o que está acontecendo.

Enquanto essa avaliação especializada não acontece, a Polícia Federal sugeriu uma série de medidas consideradas paliativas e provisórias. Entre elas está a instalação de grades de apoio nos corredores e nos boxes de banho do alojamento, justamente para reduzir o risco de quedas. Também foi recomendada a colocação de campainhas de pânico ou emergência adicionais, além de outros dispositivos que permitam o monitoramento em tempo real do preso.

Outra orientação importante foi o acompanhamento contínuo de Bolsonaro nas áreas comuns do presídio. A ideia é simples: evitar que ele circule sozinho em locais onde possa se machucar. Além disso, o laudo fala da necessidade de uma avaliação nutricional feita por profissionais especializados, com prescrição de uma dieta adequada às comorbidades descritas no exame.

O documento ainda sugere a prática regular de atividade física, tanto aeróbica quanto resistida, sempre respeitando os limites clínicos do ex-presidente. Não é nada muito diferente do que médicos costumam indicar para pessoas mais velhas com histórico de problemas de saúde. Soma-se a isso o tratamento fisioterápico contínuo, com foco no fortalecimento muscular e no equilíbrio postural, dois pontos considerados essenciais para prevenir novas quedas.

A perícia médica foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após um pedido formal da defesa de Bolsonaro. Os advogados alegam razões humanitárias para solicitar a prisão domiciliar, argumento que vem sendo repetido desde que o ex-presidente passou a cumprir pena. Moraes, por sua vez, decidiu que antes de qualquer decisão seria necessário um parecer técnico, feito por uma junta médica oficial.

Por isso, o ministro ordenou que Bolsonaro fosse avaliado imediatamente por médicos da própria Polícia Federal. A missão da equipe era analisar não apenas o quadro clínico, mas também as condições em que a pena está sendo cumprida e a real necessidade, ou não, de transferência para um hospital penitenciário.

Agora, o laudo entregue pela PF servirá como base para a decisão de Alexandre de Moraes. Nos bastidores de Brasília, a expectativa é grande, já que qualquer movimento envolvendo Bolsonaro costuma gerar barulho político e repercussão nas redes sociais. Por enquanto, o recado oficial é claro: há cuidados a serem tomados, ajustes a serem feitos, mas nada que justifique uma mudança imediata no regime de prisão. Resta saber como o STF vai interpretar tudo isso nos próximos dias.



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