PF em crise após imagens secretas da prisão do dono do Master vazarem

O vazamento das imagens que mostram exatamente o instante em que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), acabou criando um verdadeiro climão dentro da Polícia Federal. A situação virou assunto quente nos corredores da corporação e provocou uma espécie de “crise interna silenciosa”, como descrevem alguns agentes que acompanham o caso de perto.

Segundo o que a coluna conseguiu apurar, a alta cúpula da PF não gostou nada do fato das imagens terem ido parar na imprensa tão rapidamente. O incômodo foi direto: as fotos teriam exposto não só Vorcaro, mas também o policial responsável pela abordagem — algo que, para o comando da PF, é considerado erro primário, ainda mais em tempos em que qualquer detalhe vira munição política ou motivo de ruído institucional.

Dentro do governo Lula, o tema da divulgação de imagens de operações policiais já é velho conhecido. Ministros próximos ao presidente costumam reclamar da tal “espetacularização”, termo que virou moda desde a época da Lava Jato. O próprio Lula, nos bastidores, nunca escondeu o desconforto com flagrantes de prisões sendo jogados na mídia como se fossem trailers de filme de ação. E quando esse tipo de conteúdo cai na rede, a bronca costuma sobrar pra PF.

As fotos da prisão de Vorcaro foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e viralizaram rápido. Nas imagens, dá pra ver o banqueiro caminhando calmamente, prestes a passar pelo raio X do aeroporto, usando um blazer preto alinhado, camisa social branca impecável e segurando alguns papéis — tudo com aquela aparência de executivo que está indo resolver um negócio urgente, o que, aliás, faz parte da discussão sobre o que realmente estava acontecendo naquele momento.

As câmeras de segurança do aeroporto, que registraram a cena, pegaram o instante exato em que ele é abordado pelos agentes da PF. Não há gritaria, não há confusão — é uma prisão limpa, quase silenciosa, mas que ganhou proporções enormes após o vazamento.

A detenção ocorreu por volta das 22h de segunda-feira (17/11). Vorcaro estava prestes a embarcar em seu jato particular, supostamente rumo ao exterior. A PF, segundo fontes ouvidas pela coluna, já tinha sido avisada sobre a viagem e desconfiou que o banqueiro pudesse estar tentando escapar para evitar o cumprimento da ordem de prisão, que já estava decretada pela Justiça.

Por outro lado, pessoas próximas ao dono do Banco Master garantem que não havia fuga nenhuma em curso. A versão do círculo mais íntimo de Vorcaro é de que ele iria para Dubai, onde teria uma reunião marcada para fechar um acordo de aporte com investidores árabes. Segundo eles, seria uma viagem de negócios importante, ainda mais num momento em que o setor financeiro tem buscado capital estrangeiro diante das instabilidades do mercado brasileiro.

Só que essa história ficou ainda mais confusa depois que fontes da própria PF afirmaram que o plano de voo registrado para o jato particular apontava destino completamente diferente: Malta, aquele pequeno país europeu no meio do Mediterrâneo que muita gente conhece mais por ser paraíso fiscal do que ponto turístico. A divergência entre Dubai e Malta deixou a PF ainda mais desconfiada — e reforçou internamente a tese de tentativa de evasão.

O caso, que já era grande, ganhou ainda mais combustível com as imagens vazadas. E agora, enquanto a investigação corre, a PF tenta descobrir quem deixou escapar os registros da câmera. Porque, pelo visto, a prisão de Vorcaro não criou problema só para ele — criou dor de cabeça também para quem apertou o “enviar” antes da hora.



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