PF avança em investigação sobre o pastor Silas Malafaia

As investigações da Polícia Federal em cima do pastor Silas Malafaia estão pegando fogo e já chegaram num ponto bem avançado. Na segunda-feira, 20 de outubro, fazem dois meses daquela operação que tomou conta dos noticiários e acabou apreendendo o celular, documentos e até o passaporte do líder religioso. O aparelho, inclusive, já foi periciado, e dizem que tem coisa ali que pode dar dor de cabeça.

Malafaia, pra quem não acompanhou direito, é suspeito de participar de um grupo que teria articulado ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e até conversado sobre possíveis pressões para que os Estados Unidos adotassem atitudes “hostis” contra o Brasil. Um negócio meio surreal, né? Mas é isso que está no foco da PF.

Tudo foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, no inquérito que investiga tentativas de coação contra a Corte. O pastor, inclusive, foi proibido de manter contato com Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, que também estão sendo investigados dentro do mesmo esquema.

Num dos relatórios apresentados, a Polícia Federal destacou que Malafaia teria participado da criação e divulgação de ataques contra ministros do STF, numa espécie de operação coordenada, usando vários canais e atingindo justamente o público que costuma acompanhá-lo nas redes. A ideia, segundo os investigadores, era pressionar e desestabilizar o Supremo em momentos decisivos.

Na decisão, Moraes escreveu que as mensagens e conversas analisadas mostram Silas exercendo um “papel de liderança” dentro do grupo investigado. Segundo ele, havia ali uma intenção clara de coagir autoridades brasileiras e até de obstruir a Justiça. Palavras pesadas, diga-se.

Mas, do outro lado, Malafaia não ficou quieto. O pastor vem negando tudo e diz que é alvo de uma perseguição religiosa. Em diversas entrevistas e postagens, ele afirma que não cometeu nenhum crime e que apenas expressa opiniões políticas — o que, na visão dele, seria um direito garantido pela liberdade de expressão.

Vale lembrar que Silas Malafaia é uma das figuras mais influentes do meio evangélico no país. Líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ele tem milhões de seguidores nas redes sociais e sempre se envolveu diretamente com o cenário político, principalmente durante o governo Bolsonaro. Foi um dos principais defensores do ex-presidente, subindo em palanque, participando de lives e fazendo discursos inflamados em defesa dos valores conservadores.

Mesmo com toda essa polêmica, o pastor segue ativo nas redes, comentando sobre política, religião e moral — temas que sempre misturam opiniões fortes e muita repercussão. Em uma de suas falas mais recentes, Malafaia disse que “não teme nada, porque quem anda com Deus não deve nada a homem algum”. A frase viralizou, claro, e gerou discussões acaloradas tanto entre apoiadores quanto entre críticos.

Enquanto isso, a PF continua cavando informações. A perícia no celular e nos documentos apreendidos ainda pode render novos desdobramentos. Fontes próximas à investigação dizem que há indícios de que o núcleo de comunicação ligado ao pastor teria ajudado a articular campanhas de desinformação voltadas contra ministros do STF — algo que, se for comprovado, pode complicar ainda mais a situação dele.

O fato é que o caso Malafaia virou mais um capítulo do longo embate entre figuras ligadas ao bolsonarismo e o Supremo. E, como o clima político no Brasil continua quente, esse tipo de investigação tende a ganhar ainda mais visibilidade nos próximos meses.

Por enquanto, o pastor segue afirmando que é inocente e que vai provar isso “com fé e coragem”. Já o STF e a PF mantêm o silêncio tradicional de quem prefere trabalhar longe dos holofotes. Mas uma coisa é certa: esse enredo ainda tem muito chão pela frente.



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