Pastora de Ludmilla não fica em cima do muro e reprova união com Brunna: “É pecado”

A pastora evangélica Adriana Pereira, bastante conhecida no Rio por liderar a igreja que a cantora Ludmilla costuma frequentar, voltou a ganhar destaque nas redes sociais nos últimos dias. O motivo? Seus comentários sobre o relacionamento da artista com a dançarina Brunna Gonçalves — com quem Ludmilla tem uma filha, a pequena Zuri. As declarações foram dadas durante uma entrevista ao “Programa da Mara Maravilha”, exibido na quarta-feira, dia 6, e, como já era de se esperar, provocaram tanto aplausos quanto críticas acaloradas.

Quando a apresentadora perguntou sobre a união das duas, Adriana adotou um tom aparentemente respeitoso, mas sem abrir mão de sua visão baseada em sua interpretação da Bíblia. “Eu sempre digo que Deus ama o pecador, mas não gosta do pecado”, afirmou, reforçando o ponto de vista tradicional que mantém sobre relações homoafetivas.

Apesar da postura teológica mais conservadora, a pastora procurou afastar qualquer imagem de que estivesse julgando pessoalmente o casal. “Quem julga é Deus. Sobre a vida dela, a gente ora. Eu respeito. O problema é que muita gente gosta de julgar demais, mas só Deus tem esse direito”, completou, deixando no ar a ideia de que, para ela, respeito e desaprovação podem coexistir.

Outro ponto que Adriana fez questão de esclarecer foi a constante associação de seu nome ao de Ludmilla. Ela contou que é rotulada como “a pastora da Ludmilla”, mas garante que seu trabalho pastoral vai muito além. “Eu não sou apenas pastora da Ludmilla, sou pastora de todos que desejam receber a Deus. As pessoas criam essa imagem, mas meu ministério é aberto a todos”, ressaltou, tentando quebrar a narrativa de que seu púlpito teria uma “freguesia VIP”.

A entrevista rapidamente repercutiu na internet. Alguns internautas consideraram que o “respeito” defendido pela líder religiosa não passa de uma forma elegante de intolerância. Outros, no entanto, elogiaram a coerência dela por não abrir mão de suas convicções. Essa divisão é algo cada vez mais comum quando figuras públicas comentam temas ligados a religião e diversidade — basta lembrar do recente debate em torno de falas de outros líderes religiosos no país, que também dividiram opiniões.

Apesar das diferenças ideológicas, é sabido que Ludmilla mantém um vínculo afetivo com Adriana. Prova disso é que, em fevereiro de 2024, a cantora fez um gesto generoso: doou o prédio onde funciona a igreja liderada pela pastora, no bairro do Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Segundo apuração da revista Veja, o imóvel teria custado cerca de R$ 750 mil, valor que demonstra não apenas apreço, mas também confiança no trabalho da líder evangélica.

Ludmilla e Brunna estão juntas desde 2019 e se tornaram mães no início de 2024, quando anunciaram a chegada de Zuri. Desde então, compartilham momentos do dia a dia com os seguidores, mostrando desde passeios simples até eventos mais formais, como a estreia de Ludmilla no Rock in Rio deste ano, quando Brunna e a filha apareceram no backstage. O casal se tornou símbolo de visibilidade LGBTQIA+ no Brasil, não apenas pela carreira e projeção na mídia, mas também pela forma aberta e afetuosa como lidam com a maternidade.

No fim das contas, a entrevista de Adriana acabou servindo como mais um capítulo do debate sobre religião, respeito e diversidade. Num país tão plural como o Brasil, onde fé e liberdade individual frequentemente se cruzam (e às vezes se chocam), não é surpresa que a fala de uma pastora conhecida e de uma cantora de projeção internacional gere tanta discussão. E, pelo visto, essa conversa ainda vai render muito mais do que alguns minutos de TV.



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