Na última segunda-feira, dia 21 de abril, logo após o domingo de Páscoa, o mundo recebeu a triste notícia da morte do Papa Francisco, aos 88 anos. Como é tradição sempre que um papa falece, houve um ritual relacionado a um item muito importante e simbólico do pontífice: o Anel do Pescador.
Mas, você sabe por que esse ritual acontece? E o que torna o anel tão especial e cheio de história? Vem comigo que eu vou te contar tudo!
A Tradição do Anel do Pescador
O nome “Anel do Pescador” vem de uma referência bíblica ao apóstolo Pedro, que era pescador e é considerado o primeiro papa pela Igreja Católica. A peça tem o desenho de Pedro, com a rede de pesca e até o nome do pontífice, lembrando a sua relação com o apostolado e a missão de guiar a Igreja.
Há uma tradição muito antiga que envolve a destruição desse anel, um ritual que acontece desde o ano de 1521. Antes, esse anel servia como um selo, ou sinete, para autenticar documentos importantes e correspondências do Papa. Ou seja, para garantir que não houvesse falsificações, quando um papa morria, o anel precisava ser destruído. Isso marcava o fim de sua autoridade e a necessidade de iniciar um novo período, com um novo líder.
Apesar de que, em 1842, o anel deixou de ser usado como selo – substituído por um carimbo –, a tradição da destruição continuou, mas agora de forma simbólica. Entre os católicos, também há o costume de beijar a joia durante eventos litúrgicos, como uma forma de respeito e devoção ao papa.
O Anel de Francisco
Como o papa Francisco era conhecido por seu jeito mais simples e humilde, ele decidiu usar um modelo bem diferente dos anteriores. Em vez de optar por uma peça de ouro ou outro material mais luxuoso, o pontífice argentino escolheu um anel de prata banhado a ouro. Ele preferiu esse estilo mais discreto, até porque, ao longo de sua vida, já usava um anel mais simples mesmo antes de se tornar papa. O modelo de Francisco foi inspirado em um anel que pertenceu ao arcebispo Pasquale Macchi, que foi secretário do papa Paulo VI.
Francisco estava à frente da Igreja Católica há 12 anos, mas apesar de ser uma figura de grande importância, ele usava o anel em ocasiões muito formais e raramente o mostrava. Isso mostra ainda mais o seu caráter de simplicidade, que marcou toda a sua jornada à frente da Igreja.
Como o Anel é Destruído?
Após a confirmação da morte do papa, o ritual da destruição do anel é realizado com a ajuda de um martelo pelo cardeal camerlengo, a pessoa responsável pela administração da Igreja durante a vacância da Sé Apostólica, ou seja, quando não há um papa. No caso do papa Francisco, quem executou o ritual foi o cardeal Kevin Joseph Farrell. A destruição do anel acontece diante do Colégio Cardinalício, antes do início de um novo conclave, onde será escolhido o novo pontífice.
Vale destacar que esse processo teve uma exceção com o papa Bento XVI, que renunciou ao papado em 2013. Quando ele fez isso, a tradição foi um pouco diferente. Como ele ainda estava vivo, o anel não foi destruído, mas recebeu um simbolismo. O cardeal camerlengo, naquela ocasião, fez uma marca com uma talhadeira, formando uma cruz no anel, para representar a renúncia. Essa foi a primeira vez em seis séculos que um papa deixou o cargo voluntariamente.
