Padre Fábio de Melo comove ao anunciar morte trágica do irmão que fugiu com o circo

Nesta sexta-feira, 20, o padre Fábio de Melo usou as redes sociais para dividir com os seguidores uma notícia daquelas que desmonta qualquer um: a morte do irmão mais velho, Vicente Ferrer. O religioso, conhecido por misturar fé com música e desabafos sinceros, contou que os dois tiveram pouca convivência ao longo da vida. Ainda assim, a dor apareceu forte, dessas que apertam o peito mesmo quando o contato foi raro.

Vicente recebeu esse nome por causa de uma promessa antiga. A mãe deles, devota de São Vicente Ferrer, padroeiro de Formiga, cidade onde o padre nasceu, fez um pedido curioso e cheio de fé. Segundo ele relatou, o casamento dos pais foi arranjado pela avó materna. Não era exatamente uma história de amor à primeira vista. Então, durante uma procissão, a mãe teria pedido ao santo que ajudasse o sentimento a florescer. Prometeu que, se “panhasse” amor pelo marido, o primeiro filho homem receberia o nome do santo. E assim aconteceu. O amor veio, o filho também.

No texto publicado, o padre abriu o coração como faz em momentos delicados. Disse que Vicente foi o irmão com quem menos conviveu. Ainda adolescente, tomado por uma alma inquieta, o rapaz fugiu com um circo. Depois, passou a acompanhar uma equipe de parque de diversões. Vida de estrada, de cidade em cidade, sem paradeiro fixo. Um espírito livre, como o próprio padre definiu. Mas também, segundo ele, alguém que acabou aprisionado por fraquezas ao longo do caminho.

É curioso como as famílias são cheias de contrastes. Enquanto um seguiu o caminho da fé, dos palcos e das missas lotadas, o outro preferiu a estrada, o improviso, o brilho rápido das luzes do parque. Dois destinos tão diferentes nascidos da mesma casa, da mesma mãe devota, da mesma cidade do interior de Minas. Coisas que a gente só entende – ou tenta entender – quando já está adulto.

O último encontro entre os dois aconteceu durante uma turnê. O padre fazia um show numa cidade próxima de onde Vicente morava. Foi ali que se viram pela última vez. Segundo o relato, o irmão confidenciou que, entre todas as músicas gravadas por ele, “Graças Pai” era a sua preferida. Um detalhe simples, mas que agora ganha outro peso. Quando gravou o projeto no Marco Zero, em Recife, fez questão de incluir a canção no repertório. Por ele e para ele. Um gesto que talvez nem todo mundo tenha percebido na época, mas que hoje carrega um significado ainda maior.

Na despedida, as palavras foram de fé, mas também de saudade. “Vai em paz, meu irmão. Até um dia”, escreveu. Disse acreditar que, no céu, será mais fácil andar de mãos dadas com Vicente. Há frases que a gente lê e sente que foram escritas com lágrima nos olhos. Ele ainda imaginou o reencontro com os pais, numa cena quase cinematográfica: quando chegar, o irmão avisaria — “mãe, pai, o Fabinho chegou”.

Em tempos em que tanta coisa vira debate raso nas redes, a dor da perda lembra o que realmente importa. Família é isso: laços imperfeitos, histórias interrompidas, lembranças que ficam. Mesmo com pouca convivência, o vínculo de sangue fala alto. E talvez, como ele mesmo acredita, o reencontro seja apenas questão de tempo.



Recomendamos