O que disse a imprensa internacional sobre atos pró-Bolsonaro

No último domingo, dia 3 de agosto, várias cidades brasileiras foram palco de manifestações em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As cenas chamaram atenção da imprensa internacional, que repercutiu os atos de diferentes formas — cada uma com seu tom peculiar.

A rede Al Jazeera, do Catar, por exemplo, relatou que manifestantes tomaram as ruas de São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais, empunhando bandeiras do Brasil lado a lado com bandeiras dos Estados Unidos. Segundo o portal, esse gesto parecia uma referência direta ao apoio declarado do ex-presidente norte-americano Donald Trump a Bolsonaro, que, diga-se de passagem, continua sendo tratado como um “aliado fiel” pelo republicano.

Mônica Yanakiew, correspondente da Al Jazeera no Brasil, afirmou que muitos participantes do ato na avenida Paulista estavam, curiosamente, agradecendo a Trump. Sim, isso mesmo: agradecendo a um presidente estrangeiro. “Eles estão agradecendo ao presidente Trump por sancionar o Brasil”, disse ela. Uma frase que, por si só, já levanta algumas sobrancelhas e deixa no ar um clima de confusão política ou, no mínimo, diplomática.

Na sexta-feira anterior aos atos, ainda segundo a Al Jazeera, houve protestos contra o próprio Trump — tudo isso depois que o governo dos EUA anunciou tarifas mais altas para produtos brasileiros. Em cidades como Brasília e São Paulo, grupos saíram às ruas em repúdio ao aumento das taxas. Ou seja, enquanto uns agradeciam, outros protestavam contra o mesmo personagem.

A agência Reuters também cobriu os protestos de domingo e destacou que o foco de boa parte da indignação dos bolsonaristas era o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o presidente Lula. Vestindo a já tradicional camisa da seleção brasileira, muitos gritavam “Magnitsky!” — referência direta à lei dos EUA usada para punir Moraes com sanções — além de distribuir insultos ao ministro e ao atual presidente.

Teve ainda um detalhe curioso que a Reuters mencionou: muitos manifestantes seguravam cartões de banco em tom provocativo, já que a tal Lei Magnitsky prevê congelamento de bens e sanções financeiras. Bandeiras americanas e cartazes pró-Trump também foram vistos em várias partes dos protestos, misturando símbolos nacionais com os de outra potência.

Bolsonaro, como já era de se esperar, não esteve fisicamente presente. Quem apareceu foi o filho, senador Flávio Bolsonaro, que ligou para um dos atos no Rio. O ex-presidente está em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, e proibido de sair de casa nos fins de semana e feriados. A determinação é do próprio Alexandre de Moraes, e vem como parte das medidas impostas no processo que investiga Bolsonaro por suposta tentativa de golpe.

Já a France Presse ressaltou que Bolsonaro, atualmente com 70 anos, recebeu uma ordem judicial que também o impede de usar redes sociais e de ter contato com diplomatas estrangeiros enquanto o julgamento corre no STF.

Na manifestação da Paulista, estiveram presentes figuras conhecidas do bolsonarismo, como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), Valdemar Costa Neto (presidente do PL), o pastor Silas Malafaia e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Já o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado como possível presidenciável em 2026, ficou de fora alegando recuperação de um procedimento médico.

Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente e também mencionada como possível candidata em 2026, discursou em Belém. No Rio, quem pegou o microfone foi o governador Cláudio Castro (PL).

No pano de fundo disso tudo, o STF segue julgando Bolsonaro, e o clima entre Brasil e EUA parece mais quente do que nunca. Na semana passada, Trump decretou tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros e impôs sanções a Moraes, sob a justificativa de que o ministro estaria conduzindo uma “caça às bruxas” contra seu aliado. Tudo isso em pleno 2025, num cenário onde a política brasileira segue parecendo roteiro de série.



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