Número de feminicídios atinge maior marca da história durante governo Lula

O Brasil voltou a registrar um aumento nos casos de feminicídio em 2025. Os dados fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e mostram um cenário que continua preocupando especialistas e autoridades em todo o país.

Ao longo do ano passado foram contabilizados 1.571 feminicídios, o maior número desde que esse tipo de crime passou a ser reconhecido pela legislação brasileira, em 2015. Na comparação com 2024, quando foram registrados 1.504 casos, o crescimento foi de aproximadamente 4%.

Na prática, isso significa que, em média, quatro mulheres perderam a vida todos os dias apenas pelo fato de serem mulheres. O levantamento chama atenção porque revela que, mesmo com campanhas de conscientização, leis mais rígidas e um debate cada vez mais presente sobre violência doméstica, os números seguem em alta.

Os dados do anuário também mostram que não foi apenas o número de feminicídios consumados que aumentou. As tentativas de feminicídio tiveram crescimento de 6%, indicando que muitos casos só não terminaram em morte porque houve algum tipo de intervenção ou socorro a tempo.

Outros indicadores de violência contra a mulher também apresentaram aumento durante o período analisado. Os registros de violência psicológica cresceram 17%, enquanto os casos de descumprimento de medidas protetivas tiveram a mesma alta. A prática conhecida como stalking, que envolve perseguição constante e intimidação da vítima, subiu 30%, um dos maiores crescimentos registrados no levantamento.

Além disso, as agressões relacionadas à violência doméstica aumentaram 2,6%, enquanto os casos de ameaça tiveram uma elevação de 0,5%. Segundo o estudo, para cada feminicídio consumado foram registradas três tentativas, mostrando que muitas mulheres já estavam vivendo situações graves de violência antes do desfecho mais extremo.

Na avaliação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, esses números deixam evidente uma dificuldade em interromper o ciclo da violência antes que ele chegue ao pior resultado. Em muitos episódios, as vítimas já haviam procurado ajuda, feito denúncias ou solicitado medidas protetivas. Mesmo assim, parte delas acabou sendo assassinada, o que reforça a necessidade de fortalecer toda a rede de atendimento e proteção.

Especialistas apontam que apenas endurecer as leis não resolve o problema sozinho. É preciso ampliar o acesso aos serviços de acolhimento, garantir o cumprimento das medidas protetivas, oferecer suporte psicológico e criar mecanismos para identificar situações de risco com mais rapidez.

Apesar do cenário preocupante, o anuário também apresenta alguns sinais positivos. O estudo mostra que 20 das 27 unidades da federação registraram redução nas mortes violentas em geral. Entre os estados que tiveram as quedas mais expressivas estão Amazonas, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.

Mesmo com essa redução em parte do país, os números relacionados à violência contra as mulheres mostram que ainda existe um desafio enorme pela frente. Organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres reforçam que denunciar casos de violência continua sendo um passo importante para impedir que agressões evoluam para crimes ainda mais graves.

Os dados divulgados servem como um alerta para toda a sociedade. Eles mostram que combater o feminicídio exige ações conjuntas entre poder público, sistema de Justiça, forças de segurança e também a participação da população na identificação e denúncia de situações de violência. Enquanto os índices continuarem crescendo, o tema seguirá entre os principais desafios da segurança pública brasileira.



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